O Banco Mundial elevou a projeção de crescimento do Brasil em 2026 de 1,9% para 2,1% e cortou as estimativas de Argentina, Chile e Uruguai, na atualização de outubro do relatório sobre a América Latina, divulgada nesta terça-feira (6), segundo o Valor.
A maior mudança foi na Argentina: a previsão caiu de 3,6%, em junho, para 2,1%, segundo a InfoMoney. A recuperação da era Milei já dava sinais de perda de força nas últimas semanas. Para 2027, a projeção argentina caiu de 3,7% para 3%.
Mesmo com o corte, o Banco Mundial avalia que a consolidação fiscal e as reformas estruturais fortalecem a estabilidade macroeconômica argentina.
O país deve ter três anos seguidos de expansão entre 2025 e 2027, pela primeira vez em quase duas décadas, e a estimativa para 2028 foi mantida em 3,5%. A inflação caiu no período, mas o salário argentino perdeu poder de compra sob Milei.
No Chile, a estimativa para 2026 caiu de 2,1% para 0,8%, em meio à desaceleração da demanda doméstica, piora do mercado de trabalho e menor produção de mineração, segundo a InfoMoney. Para 2027, a projeção chilena subiu de 2,5% para 3%.
No Uruguai, a previsão para 2026 recuou de 1,6% para 1,2%, com ventos externos contrários e perdas na soja provocadas pela seca. Já o México teve a estimativa elevada de 1,3% para 1,4%, e a Colômbia manteve 2,3%.
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Quem ganhou e quem perdeu na revisão
Argentina, Chile e Uruguai perderam projeção de crescimento para 2026, enquanto México subiu e Colômbia ficou estável, segundo o Banco Mundial. O Brasil teve a maior alta em pontos percentuais entre os países cobertos pelo relatório.
Para os cinco países, a mudança reflete fatores locais: clima, mineração e mercado de trabalho no Chile; seca na soja no Uruguai; incerteza doméstica no México, segundo a InfoMoney.
O que muda para o Brasil
Para o Brasil, a mudança significa uma leitura ligeiramente mais otimista deste ano, mas um alerta para 2027: a projeção caiu de 2% para 1,7%, aponta o Valor. Para 2028, a estimativa subiu de 2,2% para 2,3%.
O relatório diz que a economia brasileira avança no mesmo ritmo ou abaixo da média regional, restrição parecida com a que o FMI já havia apontado em julho, puxada pelas condições monetárias apertadas usadas para conter a inflação.
"No Brasil, condições monetárias restritivas pesam sobre a demanda interna, enquanto um mercado de trabalho ainda aquecido continua a oferecer certo suporte", diz o relatório do Banco Mundial.
A estimativa do Banco Mundial para 2026 é ligeiramente mais otimista que a do próprio governo brasileiro: o Ministério da Fazenda projeta 2% no Boletim Macrofiscal de setembro, abaixo do organismo internacional. Nem o próprio governo compartilha do otimismo do relatório internacional.
O próprio Banco Mundial já havia reduzido essa projeção brasileira em junho, antes de reverter o corte agora em outubro.
No conjunto da região, o Banco Mundial manteve a previsão de alta de 2,2% do PIB da América Latina e Caribe em 2026, um pouco abaixo dos 2,4% registrados em 2025.































