O índice de small caps (SMLL), que reúne ações de empresas menores na B3, subiu 20,14% na semana após o 1º turno das eleições, encerrada em 9 de outubro. O Ibovespa bateu recorde histórico no mesmo período, aos 209.066 pontos, com alta de 8,82%.

No acumulado de 2026, porém, o descolamento é grande: o Ibovespa sobe 13,3% no ano, enquanto o SMLL avança apenas 2,9%. As small caps ainda não recuperaram os níveis de 2019, segundo Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.

Gráfico de desempenho financeiro em tela, imagem ilustrativa do mercado de ações
Painel de desempenho financeiro — imagem ilustrativa do mercado de ações.

Por que as ações menores dispararam

O movimento é puxado pela leitura do mercado sobre o resultado do 1º turno. Para a Eleven Financial, as small caps foram as "grandes vencedoras" da eleição e devem manter ganhos mais fortes no curto prazo.

"Devido ao momento mais positivo do mercado, acreditamos que a alta deve ser mais forte nas small caps", escreveu Siqueira na carta mensal da casa de research.

Uma ação do índice chegou a subir 32,57% só em outubro, segundo o Investing.com.

O freio que pode durar até 2027

O principal obstáculo para a recuperação das ações menores é a Selic, ainda em patamar elevado. O Banco Central cortou a taxa cinco vezes em 2026, e a próxima decisão do Copom sai em 3 e 4 de novembro.

No ritmo atual, de cortes de 0,25 ponto por reunião, a Selic só deve chegar a 12% em meados de 2027. Isso pode alongar a janela de recuperação das small caps, segundo analistas de mercado.

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Nem todos recomendam entrar agora. Werner Roger, sócio-fundador da Trígono Capital, defende cautela.

Agora não é hora de investir nas small caps. É momento de esperar.

Já Victor Bueno, analista da Nord Investimentos, diz que o investidor de perfil mais arrojado pode aumentar a posição em ações de empresas menores neste momento.

O que isso significa para quem investe

O salto das small caps numa única semana mostra como o mercado reage ao cenário político tanto quanto aos fundamentos das empresas. Resta saber se o apetite por risco se sustenta até a decisão do Copom em novembro.

Se os juros caírem como o mercado espera, a recuperação das ações menores tende a ganhar força.

O movimento já é instável: a Bolsa caiu um dia depois do rali eleitoral recorde, lembrete de que o apetite por risco pode mudar de uma sessão para outra.