O dólar caiu 4,35% na semana seguinte ao 1º turno das eleições, a maior queda para o período desde 1994, enquanto o Ibovespa subiu 8,82% e bateu recorde histórico. O movimento reflete a leitura do mercado sobre o resultado do 1º turno.

Na sexta-feira (9), última sessão da semana, o dólar fechou perto de R$ 4,98. O Ibovespa encerrou por volta dos 209 mil pontos, o maior nível nominal e real da história da Bolsa brasileira.

Em ambos os indicadores, 2026 supera qualquer semana equivalente desde a redemocratização: é o melhor desempenho da série tanto para o dólar quanto para o Ibovespa.

Segundo o Poder360, o mercado atribui o movimento à leitura de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro seria mais disciplinado e menos expansionista com as contas públicas.

Nem todo economista concorda com esse otimismo: o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles avalia que as agendas econômicas de Lula e Flávio são fracas, sem detalhar um plano fiscal consistente.

O padrão não é inédito: o Ibovespa já havia subido em 7 dos 8 outubros eleitorais desde 1994. O salto desta semana, porém, é o maior da série.

Publicidade

Dólar mais baixo favorece quem importa: reduz, em reais, o custo de máquinas, insumos e remédios comprados no exterior, e tende a aliviar a inflação. Já prejudica quem exporta.

A receita em reais de quem vende ao exterior cai quando o dólar recua, afetando setores como agronegócio, mineração e indústria de base.

Analistas alertam que a volatilidade deve seguir alta nos dois sentidos até o 2º turno, em 25 de outubro: cada nova pesquisa eleitoral pode mexer no câmbio.

Há ainda o risco de reversão: se o resultado do 2º turno frustrar as expectativas que já impulsionaram a alta da Bolsa, parte da valorização pode recuar rapidamente.

O que ainda está em aberto

O mercado precificou, numa única semana, um cenário que só se confirma com o resultado da votação de 25 de outubro. Falta saber quanto desse otimismo resiste a cada nova pesquisa até lá.