A BTG Pactual Asset Management e a China Southern Asset Management assinaram memorando para criar ETFs que conectam os dois mercados. Investidores brasileiros vão poder aplicar em ações chinesas por fundo na B3, e chineses vão comprar ativos brasileiros nas bolsas da China.

A parceria prevê a criação de dois produtos, um em cada mercado. As duas gestoras ainda não definiram data de lançamento nem os índices e as ações específicas que vão compor os fundos.

"Nosso objetivo é oferecer aos clientes acesso às melhores oportunidades de investimento, onde quer que estejam", disse o CEO da BTG Pactual Asset Management, Rubens Henriques, em comunicado.

O ETF que vai representar o Brasil no mercado chinês é o BZEQ11, administrado pela BTG Pactual Asset e que replica o índice MSCI Brazil 25/50. Do lado chinês, a China Southern administra 132 fundos, sendo 68 deles ETFs.

A gestora chinesa soma US$ 402 bilhões em ativos sob gestão, mais que o dobro do patrimônio da BTG Pactual Asset, de R$ 690 bilhões. O banco brasileiro lucrou R$ 5,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, recorde da história do grupo.

O acordo mira setores considerados estratégicos da economia chinesa: tecnologia, inteligência artificial, semicondutores, manufatura avançada e transição energética. É nesses segmentos que a BTG Pactual Asset quer oferecer exposição ao investidor brasileiro, hoje concentrado em ações locais e em fundos ligados aos Estados Unidos.

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O que já existe de concorrência nesse mercado

Outros bancos brasileiros chegaram antes à exposição a ativos chineses, movimento que segue o mesmo caminho da XP e dos ETFs internacionais que a corretora lançou em junho. A Bradesco Asset lançou produto com o mesmo objetivo em maio de 2025.

A Itaú Asset fechou parceria com a gestora americana Vanguard em agosto de 2026. A captação em ETFs no Brasil mais que quintuplicou em um ano, sinal de que o produto deixou de ser nicho para o investidor brasileiro.

A captação saltou de R$ 7,4 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 para R$ 42,5 bilhões no mesmo período de 2026, no mesmo ano em que analistas apontam uma possível volta do investidor estrangeiro à B3.

Mas o acordo anunciado pela BTG Pactual Asset ainda é um memorando de entendimento. Não há cronograma público de lançamento, nem definição de quais ações chinesas específicas vão compor o ETF que vai circular na B3.

A estrutura prevista é de acesso cruzado. O investidor brasileiro compra o produto pela própria B3, em reais, enquanto o investidor chinês aplica em ativos brasileiros pela bolsa de seu país, em renminbi.