A fisioterapeuta e pesquisadora baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, criou uma versão para uso em casa do dispositivo de LED azul que pesquisa desde 2019. A ideia nasceu da dor que sentiu no próprio tratamento contra o câncer de mama.

Diagnosticada em outubro de 2024, Lordêlo já estudava o LED azul contra lesões genitais causadas pelo câncer antes da doença. Foi durante a própria quimioterapia que percebeu que as alterações também aparecem durante o tratamento, não só depois dele, como sua equipe vinha investigando.

Como funciona o tratamento com LED azul?

O dispositivo é intravaginal e busca uma alternativa não hormonal para os danos na mucosa genital causados pela quimioterapia.

A pesquisa rendeu à equipe o prêmio de melhor tratamento conservador no encontro de 2022 da International Continence Society, em Viena. O tema conecta com o que muda no corpo da mulher após a remissão do câncer de mama.

A nova fase do projeto, com apoio do CNPq desde agosto de 2026, vai comparar os resultados do uso doméstico com os do tratamento feito em ambulatório.

Uma revisão de 2026 com 36 estudos e 9.749 sobreviventes de câncer de mama encontrou algum tipo de disfunção sexual em 70% delas. É um problema ainda pouco discutido entre as mulheres que passam pelo tratamento oncológico, segundo a pesquisadora.

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"A maior dificuldade para mim era sair para fazer o tratamento. Eu sentia dores, era muito desconfortável", conta Lordêlo. "O pós-quimio é bem difícil. Nos primeiros cinco dias é o momento em que a gente se debilita mais."

Por que a pesquisa virou livro?

A trajetória de Lordêlo também virou o livro "Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução", lançado neste domingo (18), no Outubro Rosa, no Gabinete Português de Leitura de Salvador.

A obra tem prefácio da atriz Regina Casé, que se aproximou da pesquisadora durante o próprio tratamento contra o câncer e participa do lançamento.

Ela me ajudou a voltar a me enxergar nesse lugar de profissional, porque eu estava num lugar muito de paciente.

Toda a renda dos direitos comerciais do livro será revertida para o Instituto Patrícia Lordêlo, que a pesquisadora fundou em 2019 e dedica a estudos de saúde pélvica.

Levantamento recente mostra que 3 em cada 10 brasileiras não sabem como prevenir o câncer de mama.