Os chocos, moluscos marinhos também chamados de sépias, não se camuflam só mudando de cor. Eles têm a capacidade de alterar a própria textura da pele, criando relevos tridimensionais que imitam rochas, corais e areia do fundo do mar em poucos segundos.
A transformação combina pigmentos visuais com músculos especializados chamados papilas cutâneas. Não é preciso esqueleto rígido nem expansão de fluidos para o relevo aparecer na pele do animal.
Como o choco decide qual textura imitar?
O sistema nervoso do choco integra a visão ao controle muscular da pele. O cérebro do animal capta variações de contraste, bordas e complexidade do fundo do mar à sua volta, e envia comandos a músculos específicos da pele.
O funcionamento é descrito como uma espécie de hidrostato muscular. Portanto, essa rugosidade que se vê é real. Elas surgem de saliências que alteram o contorno e as sombras da superfície corporal.
A explicação é do pesquisador Rodolfo Leandro, do Laboratório de Ecologia e Evolução Molecular da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Segundo Priscila Lange, coordenadora de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), a mudança completa de padrão leva entre 0,5 e 2 segundos.
"O choco não precisa tocar uma superfície para reproduzir sua textura. Experimentos mostram que informações visuais, por si só, são capazes de desencadear alterações nas papilas cutâneas", afirma Lange.
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A camuflagem gasta muita energia do choco?
Não. Apesar da complexidade biológica para erguer as papilas, manter a camuflagem ativa tem baixo consumo de energia.
Isso acontece porque o organismo do choco usa mecanismos de sustentação muscular contínua que não dependem de estímulos nervosos o tempo todo. Estudos mostram que as papilas conseguem ficar erguidas por longos períodos depois da ativação inicial.
Outros animais marinhos também escondem mecanismos pouco conhecidos pelo público. Biólogos chamam o salmão de "zumbi" durante a migração reprodutiva, por outro motivo: o peixe passa a consumir o próprio corpo como fonte de energia.
Já o coração da baleia-azul guarda outro recorde do mundo animal. O órgão pesa até 200 kg, o maior entre todos os animais conhecidos.
O que acontece agora
O estudo do comportamento dos chocos segue o mesmo caminho de outras pesquisas recentes sobre a vida marinha, como as que buscam recuperar recifes de corais ameaçados, o próprio cenário que os chocos imitam para se esconder.





























