O agronegócio brasileiro perdeu 17,8% das vendas aos Estados Unidos entre janeiro e setembro de 2026 por causa do tarifaço imposto pelo governo Trump. No mesmo período, as exportações à União Europeia cresceram 30,7%, puxadas pelo novo acordo comercial entre os blocos.
Os dois movimentos aconteceram ao mesmo tempo e, juntos, mudaram o mapa de para onde o Brasil vende.
Quanto o Brasil perdeu com o tarifaço?
Os produtos agropecuários sobretaxados em até 37,5% somaram US$ 4,1 bilhões em vendas aos EUA entre janeiro e setembro, uma queda de 25,4%, o equivalente a US$ 1,4 bilhão a menos.
A madeira de coníferas foi o item mais afetado, com recuo de 50,6% nas vendas.
No total, a fatia do mercado americano nas exportações brasileiras caiu para 9,4% no primeiro semestre de 2026, a menor participação para o período desde o início da série histórica da Amcham Brasil, em 1997.
Quanto a Europa e a China compensaram?
As exportações à União Europeia somaram US$ 44,17 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 20% sobre 2025. O comércio bilateral entre Mercosul e UE cresceu mais de US$ 6 bilhões desde que o acordo passou a valer, em 1º de maio.
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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirma que o avanço não se restringe ao agronegócio, com crescimento de 10,5% mesmo em meio a tensões geopolíticas.
A China seguiu o mesmo caminho: o comércio entre os dois países bateu recorde de US$ 143 bilhões nos mesmos nove meses.
Entidades de agricultores europeus protestaram em capitais do continente contra o acordo com o Mercosul. Alegam que ele permite importar, com tarifa zero, carne bovina, aves, arroz, açúcar, milho e etanol produzidos sem as mesmas exigências ambientais e trabalhistas em vigor na Europa.
Avaliadores ambientais também apontam risco: mais demanda agrícola da Europa pode pressionar por mais terra no setor apontado como maior vetor de desmatamento no Brasil. O mesmo tarifaço que afasta o Brasil dos EUA também empurra o bloco a negociar mais com a China.
O ponto em aberto
O acordo Mercosul-UE vale, por enquanto, apenas de forma provisória. Ele ainda depende da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países da União Europeia para valer em definitivo, processo que pode levar anos e não tem data certa de conclusão.





























