A menopausa reduz a lubrificação vaginal e pode causar dor na relação sexual. Atenção às preliminares e uso de lubrificante ajudam a manter a vida sexual ativa nessa fase, segundo especialistas ouvidas pela Folha. A causa principal dos sintomas é a queda do estrogênio.

A atriz Angela Dippe, hoje com 64 anos, se separou do marido aos 50 e entrou na menopausa pouco antes de ficar solteira. Enfrentou secura vaginal e infecção urinária recorrente, mas diz que os anos seguintes foram seu ápice de atividade sexual.

"É só um corpo diferente, que a gente precisa conhecer melhor", diz Dippe. Ela não é a única famosa a falar abertamente sobre o tema: a atriz Flávia Alessandra também já contou por que usa hidratante vaginal na menopausa.

Por que o corpo muda nessa fase

Com o fim da menstruação, vem a redução abrupta dos níveis de estrogênio, explica a ginecologista e sexóloga Lucia Alves da Silva Lara, da USP e vice-presidente de sexologia da Febrasgo. O hormônio nutre e mantém os tecidos da mucosa vaginal e vulvar.

Na menopausa, o estrogênio em queda reduz as camadas de células da mucosa, a irrigação e as terminações nervosas prazerosas, e evidencia as sensíveis à dor. O resultado pode ser atrofia, ressecamento, queimação e coceira na região genital, além de menos lubrificação.

Alterações de humor, irritabilidade e dificuldade de concentração também pesam. Elas "conspiram para que a mulher tenha uma modificação negativa de sua função sexual", diz Lara.

O que os números mostram

Pesquisa da consultoria Reds com o laboratório Herbarium, feita com 530 mulheres de 45 a 60 anos em diferentes fases do climatério, encontrou a diminuição do apetite sexual como o sintoma mais relatado, por 84,2% das participantes.

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Para 85,8% delas, isso afetou a qualidade de vida: 51,4% relataram impacto na autoestima, e 50,6%, no relacionamento. Há exceções: em casos raros, o apetite sexual aumenta na menopausa, porque a mulher deixa de produzir estrogênio mas continua produzindo testosterona, segundo Lara.

O tratamento, segundo a Febrasgo

A Febrasgo recomenda terapia hormonal individualizada para tratar os sintomas, incluindo secura vaginal, disfunção sexual, ondas de calor e alterações de humor. "A terapia é feita de forma individualizada, levando em consideração as necessidades da mulher", diz a entidade.

Quando a paciente não pode ou não quer fazer reposição hormonal, a Febrasgo recomenda medicação não hormonal combinada a orientação alimentar e atividade física. O Brasil tem cerca de 29 milhões de mulheres no climatério ou na menopausa, 7,9% da população feminina, segundo a Febrasgo.