Receber a notícia de que o câncer de mama entrou em remissão encerra uma etapa difícil, mas não significa que o organismo da mulher tenha voltado ao estado anterior à doença. Fadiga, alterações do sono e sintomas de menopausa podem continuar por meses.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. O tumor representa 30% dos casos novos de câncer entre mulheres no país.
Em julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou pela primeira vez dados globais sobre a evolução de pacientes com câncer de mama. Entre as diagnosticadas de 2017 a 2021, 77,8% chegaram ao quinto ano após o diagnóstico.
Nas Américas, esse índice sobe para 88,5%, segundo a OMS.
O tema ganha força com a chegada do Outubro Rosa, mês de combate e prevenção à doença. Em Belo Horizonte, por exemplo, o Hospital Orizonti abriu 120 vagas de mamografia gratuita nesta semana.
Por que o corpo muda mesmo depois do tratamento?
O tratamento pode provocar mudanças hormonais, metabólicas, nutricionais e na composição corporal da mulher. Segundo o médico Marcelo Bechara, especialista em saúde hormonal feminina, é preciso avaliar o conjunto desses efeitos, não só um sintoma isolado.
Quando a mulher termina o tratamento, ela quer voltar para a vida. Mas é preciso entender como o organismo dela está naquele momento.
A fala é do médico clínico e cirurgião geral Marcelo Bechara, especialista em saúde integrada, longevidade e saúde hormonal feminina.
A amamentação é possível depois do câncer de mama?
Sim, segundo o mastologista Fernando Pontes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A gravidez após o tratamento não aumenta o risco de o tumor reaparecer, nem afeta a saúde do bebê, segundo os dados atuais.
O POSITIVE Trial, publicado na New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres jovens com câncer de mama inicial que interromperam a hormonioterapia para tentar engravidar. Cerca de 74% engravidaram, e 64% tiveram ao menos um filho nascido vivo.
Entre as que tiveram bebês, 63% amamentaram, sem aumento na ocorrência de eventos da doença entre quem amamentou e quem não amamentou.
A amamentação durante o tratamento ativo, porém, costuma ser contraindicada.
Quimioterapia, hormonioterapia e terapia-alvo passam para o leite e podem prejudicar o bebê, segundo Pontes. Por isso, a amamentação costuma ser contraindicada enquanto esses medicamentos estão em uso.
Depois da última dose de quimioterapia, é preciso aguardar o período de eliminação do medicamento antes de retomar a amamentação. Fontes brasileiras citam entre 60 e 90 dias, mas o prazo exato depende do medicamento e deve ser definido pelo oncologista.
Avanços no tratamento também têm ajudado nos últimos meses. Em setembro, a Anvisa aprovou um remédio oral que reduz o avanço do câncer de mama em 56%.
Outra droga, o Trodelvy, passou a tratar o câncer de mama triplo-negativo mais cedo no curso da doença.






























