A empreendedora Arlene Alencar, de 35 anos, descobriu um aneurisma cerebral de 4,5 milímetros na carótida ao fazer exames para investigar uma suspeita de TDAH, em julho de 2025, no Piauí. Ela não apresentava nenhum sintoma da dilatação na artéria.

A investigação começou quando ela suspeitou ter TDAH, ao acompanhar a avaliação do próprio filho para o mesmo transtorno. Uma psicóloga a encaminhou a um neurologista, e os exames começaram no fim de julho de 2025.

O resultado não tinha nada a ver com TDAH.

Foi a busca por outro diagnóstico que acabou revelando, por acaso, um risco silencioso que ela não sabia que corria.

O que é um aneurisma cerebral?

Um aneurisma é uma dilatação que se forma na parede de uma artéria, parecida com um balão, e pode ocorrer em qualquer vaso do corpo, embora seja mais comum na aorta. O maior risco é o rompimento, que pode causar um AVC hemorrágico grave.

Imagem de angiografia mostrando aneurisma cerebral, exame usado para diagnosticar a dilatacao na parede da arteria
Angiografia cerebral: exame de imagem usado para identificar aneurismas, como o diagnosticado em Arlene Alencar. Foto de arquivo, não é do caso relatado na reportagem. Foto: Rogerio Cisi/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A condição é mais comum do que parece. Afeta cerca de 3,2% da população mundial, uma em cada 50 pessoas, segundo a Rede D'Or São Luiz. No Brasil, a prevalência estimada fica entre 0,9% e 2% da população.

No Brasil, foram mais de 61 mil internações por hemorragia subaracnóidea aneurismática entre 2017 e 2022, segundo pesquisa da UFRGS. A mortalidade hospitalar chega perto de 20%, e até 25% dos sobreviventes ficam com sequelas neurológicas graves.

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Quando o aneurisma é descoberto?

O aneurisma é descoberto, na maioria dos casos, por acaso. Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), muitos aneurismas são assintomáticos e aparecem em exames de imagem feitos por outro motivo, como aconteceu com Arlene.

"Jamais imaginei que esses exames poderiam mudar a minha vida. O que começou como uma busca por respostas sobre o TDAH acabou me levando a uma descoberta que eu nunca esperava", relata Arlene.

Quem tem mais risco de aneurisma?

Têm mais risco de aneurisma quem tem pressão alta, fuma, tem histórico familiar da doença ou sofre traumas cranianos crônicos. A hipertensão é apontada como fator de risco tanto para o aneurisma quanto para o AVC.

Mulheres são afetadas em proporção de até 2 para 1 em relação aos homens, principalmente depois dos 50 anos, e a faixa de maior incidência vai dos 40 aos 60. Arlene tem 35 anos, fora dessa faixa.

A investigação sobre o TDAH, que deu origem à descoberta do aneurisma, segue sendo um tema debatido. Um estudo recente mudou o entendimento sobre o que os remédios para o transtorno fazem no cérebro.