Mascar chiclete durante os estudos aumenta o estado de alerta, mas não melhora a memorização, segundo estudos da Universidade de Cardiff publicados na Nutritional Neuroscience. A três semanas do Enem, a dúvida move quem está na reta final de revisão.

O estudo, conduzido por Andrew Smith, do Centre for Occupational and Health Psychology de Cardiff, mediu aumento de 10% no estado de alerta entre quem mascava chiclete, resultado estatisticamente significativo.

Nenhum efeito apareceu nos testes de memorização de histórias e listas de palavras.

Estudos seguintes do mesmo grupo encontraram humor mais positivo e tempo de reação mais rápido entre quem mastiga, principalmente em tarefas difíceis, além de melhora na atenção seletiva. A memória, de novo, não mudou.

Vale a pena mascar chiclete para estudar?

Vale como reforço pontual de alerta, não como método de estudo. Segundo o médico de família Marcelo Gobbo, a mastigação estimula mecanismos ligados à atenção, mas os efeitos variam de pessoa para pessoa e não substituem técnica de aprendizagem.

Nenhuma das pesquisas recomenda abandonar o chiclete, mas também nenhuma recomenda contar com ele. O que muda o resultado é a técnica de estudo, não o que está na boca.

Quais técnicas de estudo realmente funcionam?

A recuperação ativa tem respaldo científico. Tentar lembrar o conteúdo antes de abrir o caderno fortalece as conexões do aprendizado, e funciona com exercícios, perguntas, cartões de revisão e explicações que o próprio estudante formula em voz alta.

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Distribuir as revisões ao longo dos dias, em vez de concentrar tudo numa sessão só, tende a ser mais eficiente. Alternar disciplinas também ajuda, principalmente quando os conceitos se parecem.

É uma das recomendações da lista de cuidados para estudar sem prejudicar a saúde mental.

A memória também depende de como o cérebro organiza o que já sabe. Pesquisa recente mostrou que o cérebro preenche lacunas da memória para manter coerência.

Isso ajuda a explicar por que revisar um conteúdo de formas diferentes fixa mais do que relê-lo uma única vez.

O Enem será aplicado em 8 e 15 de novembro, com o maior número de inscritos desde 2022. Quem está na reta final tem pouco mais de três semanas para ajustar o método de revisão.