Um estudo da Fiocruz detectou cocaína e seu principal metabólito em cinco rios e canais do Rio de Janeiro, em níveis superiores aos de pesquisas semelhantes na Bélgica, na Espanha e nos Estados Unidos. Os pesquisadores também acharam efeitos tóxicos em peixes.

A pesquisa, publicada na revista científica Aquatic Toxicology, coletou 60 amostras mensais entre julho de 2022 e junho de 2023 nos rios Irajá, Carioca e Meriti e nos canais do Cunha e do Mangue.

O resultado: 59 das 60 amostras continham cocaína.

A benzoilecgonina, metabólito que o corpo produz ao processar a droga e elimina pela urina, apareceu em 100% das amostras.

Foi uma grande surpresa encontrar em todas as amostras e o nível, que foi bem elevado em comparação com outros estudos.

A alta presença de benzoilecgonina em quase todas as amostras indica consumo frequente de cocaína na região, já que a substância é excretada pela urina após o uso. Não é a primeira vez que resíduos de drogas aparecem em locais inesperados no Brasil.

Em testes com embriões de zebrafish, peixe usado em pesquisa, a exposição às substâncias causou mais mortes, deformações e alterações cardiovasculares e neurológicas. A benzoilecgonina já mostrou efeito tóxico a partir de 13% da concentração encontrada nos rios.

Saggioro também cobrou atenção do poder público: "a parte governamental também deve se atentar ao saneamento e à circulação dessa droga no território", disse.

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A contaminação foi maior na estação chuvosa, entre outubro e março, com pico em janeiro, período de festas e férias. Todos os cursos d'água estudados deságuam na Baía de Guanabara.

Os cientistas, de um instituto que também investiga outros indicadores de saúde pública, ampliaram a pesquisa para 13 rios, com coletas entre dezembro de 2023 e novembro de 2024. A conclusão da 2ª etapa está prevista para o 1º semestre de 2027.

O ponto em aberto

A pesquisa mostra um problema duplo: o consumo de drogas na região e a falta de tratamento de esgoto. A pergunta que fica é se o saneamento vai receber a mesma urgência que outras causas de poluição da baía.