Cerca de 29% das brasileiras, o equivalente a 3 em cada 10, não sabem como se prevenir contra o câncer de mama. O dado é de uma pesquisa do AC.Camargo Cancer Center com a Nexus, divulgada em outubro, mês de conscientização sobre a doença.

O índice de desconhecimento subiu em relação a 2024, quando era de 25%, um aumento de 4 pontos percentuais em dois anos. A pesquisa ouviu 1.038 mulheres em todo o país.

Do total de entrevistadas, 68% afirmam conhecer as formas de prevenção da doença, e 11% dizem conhecer "mais ou menos". Segundo os pesquisadores, parte de quem tinha dúvidas em edições anteriores passou a admitir que, de fato, não conhece.

Sala de mamografia em unidade de saúde
Sala de mamografia em unidade de saúde, foto de arquivo. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O conhecimento sobre prevenção muda diretamente o comportamento das mulheres diante dos exames. Entre as que dizem conhecer as formas de prevenção, 80% já fizeram autoexame e 65% já fizeram mamografia.

Entre as que não conhecem, o autoexame cai para 30%, e 35% nunca fizeram nem autoexame nem mamografia. A proporção de mamografia neste grupo sobe para 55% quando a pergunta é só sobre esse exame específico.

O cuidado com a mama se apoia em duas necessidades que caminham juntas.

A frase é da Dra. Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center, sobre a relação entre informação e realização dos exames.

A diferença de acesso ao autoexame e à mamografia entre quem conhece e quem não conhece a prevenção é maior onde a renda é menor e onde o acesso à rede de diagnóstico é mais difícil, segundo a pesquisa.

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O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil deve registrar cerca de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no atual triênio. Fatores de risco como idade e genética são imutáveis, mas hábitos diários pesam na prevenção.

Segundo o INCA, atividade física regular, controle do peso corporal (sobretudo após a menopausa), alimentação baseada em produtos in natura e redução do consumo de álcool estão entre as medidas que ajudam a reduzir o risco da doença.

Sinais de alerta pedem avaliação médica imediata: nódulos persistentes, mudanças no tamanho ou formato das mamas, alterações ou retrações na pele ou no mamilo, e secreções sanguinolentas.

Quem busca o exame gratuito tem opções abertas pelo país: o Hospital Orizonti abriu 120 vagas de mamografia gratuita em BH, e desde setembro a mamografia digital tem cobertura sem limite de idade nos planos de saúde.

O que acontece agora

Outubro segue com campanhas de conscientização e mutirões de mamografia gratuita pelo país. Mulheres que já passaram pelo tratamento também relatam o que muda no corpo após a remissão do câncer de mama.