Avanços no diagnóstico e no tratamento de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo têm mudado o prognóstico de quem recebe esses diagnósticos, segundo hematologistas ouvidos pelo programa CNN Sinais Vitais neste sábado (17). Drogas-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea ampliam as chances de recuperação.
"Você ter diagnóstico hoje, por exemplo, de uma leucemia, não significa que você vai ter um prognóstico ruim", afirmou a hematologista Lucila Kerbauy. Segundo ela, hoje é possível identificar mutações nas células com mais precisão, o que ajuda a escolher o tratamento certo.
No Brasil, o INCA estima 12,2 mil novos casos de leucemia por ano, uma doença que, segundo o hematologista João Guerra, se divide em dois grandes grupos.
Agudas e crônicas: a diferença entre as leucemias
Dividem-se as leucemias entre agudas, que atingem células mais jovens da medula óssea e se replicam com mais velocidade, e crônicas, que afetam células mais maduras e evoluem de forma menos agressiva, explicou Guerra.
A leucemia linfoide aguda é mais comum em crianças, enquanto a leucemia mieloide aguda é mais frequente em adultos. "Dentro da jornada do paciente, nós podemos oferecer várias possibilidades", disse Kerbauy, citando drogas-alvo, imunoterápicos e transplante de medula óssea entre as opções para leucemias agudas.
O avanço mais recente é a terapia com CAR-T cell, reservada a linfomas e mielomas, que reprograma células de defesa do próprio paciente para atacar o câncer.
O que mudou no linfoma e no mieloma
No linfoma de Hodgkin, a imunoterapia passou a integrar o tratamento, reduzindo a necessidade de quimioterapia e os efeitos colaterais. "A gente consegue ter taxas de resposta, de remissão acima de 90%", destacou Kerbauy.
Publicidade
Guerra chamou atenção também para o mieloma múltiplo, doença que por muitos anos foi considerada incurável e passou a ser discutida como potencialmente curável no Congresso Global de Mieloma Múltiplo.
No procedimento de transplante de medula óssea alogênico, em que o paciente recebe medula de outra pessoa, os métodos evoluíram para ficar menos agressivos e com resultados mais promissores, segundo Kerbauy.
O que acontece agora
No SUS, a terapia CAR-T pode passar a ser oferecida em até um ano, após receber fluxo prioritário na Anvisa. O tratamento já mostrou 87,5% de eficácia em pacientes com linfoma, segundo estudos citados em reportagens anteriores.





























