Os Estados Unidos negociam com a Venezuela um acordo para manter militares americanos no país por um período prolongado, segundo revelou o New York Times em 3 de novembro. As conversas são lideradas pelo Departamento de Estado americano, no país vizinho ao Brasil.

A fronteira entre os dois países soma 2.199 km, divididos entre Roraima e Amazonas.

O modelo em discussão é um Acordo de Status de Forças (SOFA, na sigla em inglês). Ele daria base jurídica para a presença de tropas dos EUA em território venezuelano.

Segundo o jornal americano, o objetivo declarado é apoiar a transição política conduzida pela presidente interina Delcy Rodríguez. As conversas também avançam em temas diplomáticos, econômicos e petrolíferos entre os dois países.

O secretário de Estado, Marco Rubio, recebeu o novo chanceler venezuelano, Oliver Blanco, em 2 de novembro. O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, já havia visitado Caracas em junho.

As tratativas avançam quase dez meses após a captura de Nicolás Maduro em operação militar americana, em 3 de janeiro.

Para a fronteira brasileira, a negociação muda o tipo de atenção que os militares do país precisam manter: de uma ação pontual para uma presença estrangeira que pode durar anos.

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O que muda para a fronteira do Brasil?

Para o Brasil, a negociação é um tema de interesse direto da política externa. A Venezuela soma a terceira maior fronteira terrestre do Brasil, com Pacaraima e Santa Elena de Uairén como as travessias mais usadas entre os dois países.

Em janeiro, o ministro da Defesa, José Múcio, classificou a fronteira como tranquila e monitorada. Segundo ele, o Brasil mantém cerca de 2.300 militares em Roraima e 10 mil integrantes das Forças Armadas em alerta na Amazônia.

A Operação Acolhida, que atende migrantes venezuelanos, já registrou queda no fluxo de entradas por Pacaraima. Foram 2.121 em janeiro de 2025 contra 1.014 em janeiro deste ano — um recuo que já vinha antes do novo capítulo das negociações.

A tensão na fronteira já havia subido após o bombardeio americano que antecedeu a captura de Maduro. Desde então, a FAB já destruiu um helicóptero clandestino vindo da Venezuela em Roraima.

O que acontece agora

Washington nega, por ora, que o acordo preveja bases militares permanentes. O governo americano afirma não haver "conversas em andamento para instalar bases militares dos EUA na Venezuela".

A posição descarta isso como prioridade imediata das negociações.

Não há data pública para a conclusão do SOFA nem detalhes sobre o número de militares que permaneceriam no país.

O reconhecimento de Delcy Rodríguez pelos EUA, mesmo sem o aval da União Europeia, segue sendo a base sobre a qual as duas partes tratam os próximos passos da transição venezuelana.