Representantes dos entregadores de aplicativo denunciaram a Keeta e a 99Food ao Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta semana. A categoria pede investigação sobre bônus de até R$ 9 por corrida oferecidos na paralisação nacional de 1º de setembro, sob suspeita de esvaziar o movimento.

Na representação, os entregadores afirmam que "o que demanda investigação é a coincidência temporal entre a mobilização coletiva e a concentração de incentivos econômicos adicionais".

Segundo os organizadores, os valores extras variaram de R$ 3 a R$ 9 por entrega. As ofertas se concentraram em horários e regiões específicas de São Paulo, justamente no dia da paralisação.

A Keeta negou relação entre os bônus e a manifestação, e disse respeitar o direito de paralisação dos entregadores. Já a 99Food não havia respondido até a denúncia, e o iFood não deu retorno sobre o episódio.

Para quem vive de cada corrida aceita, um bônus turbinado no dia certo pesa mais do que qualquer discurso sindical, e é esse cálculo que a denúncia ao MPT tenta provar.

A paralisação denunciada é a mesma Breque Geral dos Apps que a TV Sim Brasil cobriu em 1º de setembro. Na ocasião, entregadores cobraram taxa mínima de R$ 10 por corrida de até 4 km, além de R$ 2,50 por quilômetro rodado.

O movimento também exige mais transparência no bloqueio automático de contas. Hoje a punição acontece sem aviso prévio e sem canal claro de defesa para quem é penalizado pelo algoritmo.

O protesto tem como alvo ainda o PLP 152/2025, projeto que regulamenta o trabalho por aplicativo. O texto cria uma categoria jurídica própria para o entregador, sem vínculo empregatício com as plataformas.

Não é a primeira vez que o texto tira entregadores às ruas. Em abril, protestos em pelo menos 23 capitais levaram o relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), a tirar o projeto da pauta da Câmara.

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Desde então, não há data nova para a votação.

O impasse entre entregadores e plataformas já foi parar na Justiça do Trabalho antes. Em processo separado, o MPT também move ação contra a Uber pedindo R$ 321 milhões por taxa cobrada de motoristas.

O que acontece agora

Até agora, o Ministério Público do Trabalho não deu prazo para concluir a apuração sobre os bônus da Keeta e da 99Food. O Congresso, por sua vez, segue sem data para retomar a votação do PLP 152/2025.