O conselho de supervisão da Volkswagen aprovou, nesta quinta-feira (3), o maior plano de reestruturação em 89 anos de história da montadora alemã. Serão mais 50 mil vagas cortadas em todo o mundo, somadas a outras 50 mil demissões já em andamento, o que totaliza cerca de 100 mil postos fechados.
A decisão foi unânime, segundo comunicado do conselho. O plano responde à pressão das tarifas dos Estados Unidos sobre a indústria automotiva e à concorrência crescente de fabricantes chineses.
Pesa também a demanda fraca no mercado chinês, hoje o maior do mundo em vendas de carros. A meta é elevar a margem operacional do grupo para 9%.
Oliver Blume, presidente-executivo da Volkswagen, disse que a decisão "é um forte sinal para o futuro do Grupo Volkswagen". Segundo ele, a empresa está "assumindo a responsabilidade por toda a nossa força de trabalho, por nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo".
O plano prevê reduzir pela metade a linha de modelos do grupo até 2035. Quatro fábricas na Alemanha seguem sem produção definida para a próxima década, e a empresa não detalhou datas nem a distribuição dos cortes entre unidades e países.
Representantes dos trabalhadores no conselho dizem apoiar a necessidade de reestruturação. Mas cobram que o ônus não recaia só sobre os funcionários.
O Conselho Central de Trabalhadores da VW, presidido por Daniela Cavallo, e o sindicato IG Metall classificaram a meta de margem de 9% como irrealista.
Trabalhadores protestaram contra o que chamaram de "ameaças irresponsáveis da diretoria", e não descartam greve caso o plano avance sem acordo com os sindicatos alemães.
Não ficaremos de braços cruzados se a empresa não mudar de rumo.
afirmou Thorsten Groeger, dirigente do IG Metall, que representa boa parte da força de trabalho da Volkswagen na Alemanha.
No Brasil, o cenário é o oposto do alemão. A fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), aprovou em assembleia, em julho, a inclusão de quatro dias extras de produção neste ano, por causa do aumento da demanda pelo modelo Move Brasil.
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A própria Volkswagen já havia informado, no mesmo mês, que não há previsão de demissões na operação brasileira.
Parte da pressão sobre a Volkswagen vem do avanço das marcas chinesas, que também mudou o mercado por aqui. O chamado efeito China trouxe sete novas marcas ao país até 2028 e derrubou o preço médio do carro 0 km.
Na Europa, onde a Volkswagen concentra boa parte da produção afetada pelos cortes, a concorrência asiática tem efeito parecido sobre as vendas.
O aperto não é exclusividade da matriz alemã. Em setembro, a Nissan encerrou a produção da picape Frontier no Brasil após queda de 45% nas vendas, lembrete de que a indústria automotiva também reavalia linhas por aqui.
O que acontece agora
A Volkswagen ainda não divulgou cronograma de execução dos 50 mil cortes recém-aprovados, nem como eles serão distribuídos entre fábricas e países.
A negociação com os sindicatos alemães sobre ritmo e condições dos desligamentos é o próximo capítulo do embate. O Conselho Central de Trabalhadores pressiona por garantias de emprego nas quatro fábricas ainda sem destino definido.


























