O chanceler da Itália, Antonio Tajani, denunciou no sábado (7 de novembro) ter sido alvo de hackers que vazaram seus dados pessoais na dark web. Desde 26 de outubro, o grupo pró-Rússia NoName057(16) oferece recompensa por dados de 18 autoridades europeias.
O grupo é ligado ao GRU, serviço secreto militar russo, segundo autoridades italianas. Além de Tajani, a lista inclui o promotor Francesco Lo Voi, o chefe de polícia Ivano Gabrieli e o prefeito de Aviano, cidade com base aérea dos EUA.
"Há vários dias, cibercriminosos vêm divulgando meus dados pessoais na dark web e buscam obter mais informações, expondo-me a novas ameaças e intimidações. Eles também envolvem minha família", disse Tajani, em post no X. "Não me deixarei intimidar de forma alguma", completou o chanceler.
Por que a Itália culpa a Rússia
A primeira-ministra Giorgia Meloni atribuiu o ataque a hackers pró-Rússia e classificou as tentativas de venda de dados de funcionários do governo como "uma questão de extrema preocupação que deve ser tratada com a máxima determinação".
"Nossa posição sobre a Ucrânia é a razão política pela qual estou na mira deles", disse a premiê, ao citar a defesa da liberdade de um Estado soberano como motivo do ataque.
O episódio reforça um padrão: em setembro, o presidente francês Emmanuel Macron já alertava que a Rússia escala uma "guerra híbrida" contra a Europa.
Em abril de 2025, o mesmo grupo (batizado de NoName) derrubou ao menos 19 sites de governos locais na Holanda, na "Operation Netherlands", resposta, segundo o grupo, ao apoio militar holandês à Ucrânia.
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"Vemos que a ameaça russa contra a Europa está aumentando", disse na época Peter Reesink, diretor do serviço de segurança holandês MIVD. A Holanda já havia destinado € 6 bilhões em ajuda militar a Kiev, com mais € 3,5 bilhões previstos para 2026.
A mesma onda de hostilidade digital já atingiu outros alvos inesperados: em novembro, hackers atacaram geladeiras de supermercados na Suécia e na Bélgica.
Aplicativos de alerta de emergência na Ucrânia e na Rússia também foram invadidos para espalhar avisos falsos de ataques aéreos, numa falha parecida com uma que o Brasil já viveu.
Entre 3 e 6 de novembro, 35 voos europeus receberam ameaças de bomba, dois deles na Itália, parte da mesma onda que autoridades atribuem à guerra híbrida russa.
O padrão que ainda não tem resposta coordenada
O grupo que derrubava sites institucionais em 2025 passou a mirar diretamente famílias de autoridades nomeadas em 2026. Até a publicação desta matéria, nenhum bloco europeu havia anunciado uma resposta coordenada ao padrão. Cada país segue reagindo ao seu próprio ataque.






























