A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, driblando a apreensão de passaporte determinada pelo STF, expôs uma divisão dentro do PL. Parte da cúpula do partido queria que o senador assumisse a liderança da oposição a Lula no Congresso.

Flávio deixou o Brasil na madrugada entre 25 e 26 de outubro, dois dias após perder a eleição presidencial para Lula no segundo turno, disputado no domingo (25 de outubro).

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado a apreensão dos passaportes do senador e a proibição de ele deixar o país. Fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram que ele saiu mesmo assim, pela fronteira com a Argentina, em Puerto Iguazú.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse que não foi informado sobre a viagem e criticou a carta que Flávio divulgou ao deixar o país.

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Rogério Marinho, senador pelo PL-RN e coordenador da campanha de Flávio, disse ter sido pego de surpresa.

Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição.

A reação dividiu aliados. Carlos Jordy (PL-RJ) e Gustavo Gayer (PL-GO) disseram que Flávio fez a coisa certa ao deixar o país, enquanto Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal mais votado em 2026, questionou a segurança da oposição.

Marinho afirmou que Flávio recebeu mais de 3 mil ameaças de morte durante a campanha e levou em conta a prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a ausência do irmão Eduardo Bolsonaro, que também está fora do país.

O que muda para a oposição agora

Para a oposição a Lula no Congresso, a saída de Flávio deixa um vácuo de liderança justamente quando o PL se torna a maior bancada do Congresso. São 121 deputados e 19 senadores na nova legislatura.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu respeitar o resultado das urnas.

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O que acontece agora

Flávio discursou na quinta-feira (5 de novembro) no CPAC, em Mar-a-Lago, e repetiu a comparação com a trajetória do pai.

Antes disso, ele já havia votado remotamente dos EUA na PEC da Segurança, o que levou o governo a pedir a anulação do voto no Senado.

A viagem também gerou questionamento sobre custos. O avião usado na saída do Brasil custou R$ 414 mil, segundo reportagens. Até a quinta-feira (5 de novembro), Flávio não havia dito se pretende assumir formalmente a liderança da oposição.