O enfermeiro Alessandro Veiga, que recentemente também se formou em medicina, diz ter aprendido a humanizar o cuidado com o grupo de palhaços voluntários Remédicos do Riso, do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP). Ele tem graduação em enfermagem, mestrado e doutorado.
"Aprendi com eles a tornar a vida e o cuidado mais leves, mesmo dentro de um hospital oncológico", contou o médico ao G1.
O encontro com o grupo aconteceu quando Alessandro ainda era enfermeiro no hospital. Ele foi convidado a dar um treinamento técnico aos voluntários sobre o manuseio de bombas de infusão usadas em crianças internadas na pediatria oncológica.
"O primeiro dia foi o momento mais marcante para mim. Cheguei lá sério, como enfermeiro focado no treinamento técnico, e encontrei um grupo muito descontraído. Eles conseguiram transformar a explicação sobre os equipamentos em algo leve e engraçado, tirando aquele peso do ambiente", relembrou.
"Foi um aprendizado enorme, percebi que é possível olhar para uma situação triste com gratidão e paz", completou Alessandro, sobre a mudança de perspectiva que o encontro com o grupo provocou.
O Fórum da Alegria em Saúde
A partir daquele encontro, Alessandro se tornou presença constante no Fórum da Alegria em Saúde, evento anual dos Remédicos do Riso. Neste ano, pela primeira vez, ele subiu ao palco como palestrante, com o tema "Uma vida de propósito".
"Nas edições anteriores, eu sempre estive presente como participante, sentado, observando e aprendendo. Sempre tive o sonho de um dia estar do outro lado", disse Alessandro.
O 12º Fórum da Alegria em Saúde aconteceu na sexta e no sábado (18 e 19), reunindo voluntários de várias regiões de São Paulo em torno do tema "Sentir, Sustentar e Transformar".
O grupo Remédicos do Riso segue um caminho parecido com o do Graacc, referência no tratamento humanizado do câncer infantil no Brasil: existe há 25 anos e hoje atua em várias frentes dentro do Hospital Amaral Carvalho.
A palestra de Alessandro fecha um ciclo: de técnico que ensinava os voluntários a manusear equipamentos, ele passou a aprender com eles a suavizar o peso do tratamento oncológico.
O câncer no Brasil e no mundo
O câncer segue crescendo como problema de saúde pública, no Brasil e no mundo. A Organização Mundial da Saúde projeta que os novos casos globais quase dobrem até 2050, de 20,6 milhões para 35 milhões por ano.
A mesma OMS estima que uma em cada cinco pessoas será diagnosticada com câncer ao longo da vida, impactando 92% da população global, direta ou indiretamente.
"A empatia e o riso são respostas fundamentais no ambiente hospitalar", resume Rogério Cesar Fabre, o Doutor-Palhaço que coordena os Remédicos do Riso.





























