A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul terá, a partir de 2027, 22 deputados novos entre as 55 cadeiras, taxa de renovação de 40%. A nova Casa tem perfil mais à direita, mais mulheres e mais estreantes, segundo levantamento do g1.

Levantamento do Brasil de Fato mostra que a direita e a extrema direita somam 27 das 55 cadeiras, uma a menos que a maioria absoluta. O campo progressista ficou com 17 cadeiras, e o bloco de centro, com 11.

Mesmo maior, a direita não tem maioria sozinha. Faltou uma cadeira para os 28 votos necessários, o que deve empurrar negociações com o bloco de centro a cada votação importante.

A mudança acompanha a vitória de Luciano Zucco (PL) na disputa pelo governo do estado, cuja coligação de sete partidos elegeu ao menos 27 deputados, cerca de metade da nova Casa.

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A bancada do PL mais que dobrou de tamanho em relação à legislatura atual. Já a federação de PT, PCdoB e PV, que liderava a Casa desde a posse de 2023, caiu para 10 cadeiras.

Renovação parecida aconteceu em Minas Gerais, onde a nova Assembleia também elegeu um deputado estadual recordista de votos.

Por que a direita cresceu tanto?

Para o cientista político Alexander Chiodo, a nova composição reflete uma mudança de perfil no conservadorismo gaúcho, com o eleitorado migrando para posições mais alinhadas à agenda nacional do PL.

"Houve uma concentração da direita. Aqueles personagens que ficavam na centro-direita, numa posição mais moderada, ou até que construíram seu capital político na redemocratização, acabaram perdendo espaço para os candidatos mais ligados ao PL, à agenda nacional", afirma Chiodo.

Outro exemplo é o professor e economista Claudio Branchieri (PL), de Caxias do Sul, reeleito com 123 mil votos, três vezes a votação de 2022. Para ele, o eleitorado da direita gaúcha busca posições claras sobre economia.

Acho que a população gaúcha, pelo menos a parte da direita, que gosta de posicionamentos muito claros em relação a assuntos que são importantes, principalmente na questão da economia, que é a minha formação, enxergou em mim alguém que a representasse.

A nova legislatura também terá 16 mulheres entre os 55 deputados, aumento de 45% em relação a 2022. Das cinco candidaturas mais votadas do estado, três são de mulheres.

Adri Cherini (PL) foi a mais votada, com 129.492 votos, seguida por Luciana Genro (PSOL), com 127.601, e Comandante Nádia (PL), com 111.341. O avanço também aparece no retrato nacional da Câmara dos Deputados, onde as mulheres ainda são só 17,2% das cadeiras.

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Entre as estreantes está Natasha Ferreira (PT), primeira travesti eleita para o Legislativo gaúcho, com 54 mil votos. Vereadora em Porto Alegre, ela é natural de Sapiranga e começou na política aos 13 anos, no movimento estudantil.

O que acontece agora

Os 55 deputados eleitos tomam posse em 2027, ao lado do governador eleito, Luciano Zucco (PL). Guilherme Pasin (PP), deputado mais votado do seu partido, afirma que a nova composição pode facilitar a aprovação dos projetos do governo.

Segundo ele, o apoio deve vir inclusive de deputados que, a princípio, não integram a base aliada de Zucco.