O deputado federal eleito Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu das Artes (SP), pode perder o mandato conquistado com 118.566 votos no domingo (4/10). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga recurso que pede a cassação do registro por suspeita de elo com o PCC.

Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos, é réu por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Já cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em 1ª instância por porte de arma de fogo com numeração raspada.

No passado, ele também foi condenado por formação de quadrilha. Ficou dois anos preso por roubo a banco antes de entrar para a política.

A candidatura de Ney Santos foi autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por 3 votos a 2, em 15 de setembro. O Ministério Público Eleitoral (MPE) pedia a impugnação.

O MPE se baseou em jurisprudência que permite rejeitar candidaturas ligadas a facções mesmo sem condenação penal definitiva. A maioria do TRE-SP, porém, entendeu que o vínculo só poderia ser avaliado após decisão criminal transitada em julgado.

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“Após sua saída do sistema prisional, os órgãos policiais e o Ministério Público continuaram a receber recorrentemente informações e notícias de que Claudinei é membro do PCC e que sua fortuna é constituída essencialmente de dinheiro proveniente do tráfico de drogas”, apontou a promotoria eleitoral.

O caso de Ney Santos é uma exceção dentro de um padrão. Levantamento do Conjur mostra que 27 candidaturas foram questionadas nos TREs em 2026 por suspeita de vínculo com organização criminosa.

Dessas, 20 chegaram a ser barradas. As 15 que ficaram fora da urna somaram 363,3 mil votos ao todo, e nenhuma se elegeu. Minas Gerais tem outras 41 candidaturas contestadas também à espera de decisão do TSE.

O Rio de Janeiro concentrou 11 desses casos. Ney Santos é o raro político nessa situação que teve a candidatura liberada e venceu nas urnas.

Mesmo inelegível entre uma condenação e outra, Ney Santos manteve influência política em Embu das Artes. Ele ajudou a eleger o atual prefeito, Hugo Prado (Republicanos), com 88 mil votos em 2024.

O MPE moveu ação parecida contra outros nomes de famílias políticas tradicionais nesta eleição, caso do neto do ex-deputado Luizinho Drumond, no Rio. A diferença é que, lá, a decisão sobre a candidatura veio antes das urnas.

Também elegeu a própria irmã, Ely Santos (Republicanos), como 1ª suplente de deputada federal em 2022. Ely assumiu a cadeira na Câmara em 2024 e, nesta eleição, conquistou vaga própria na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

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Após o resultado das urnas, Ney Santos comemorou a vitória nas redes sociais. “Deus é especialista em milagres e cumpre o que promete”, escreveu.

O que acontece agora

O recurso do MPE foi protocolado no TSE em 23 de setembro e aguarda julgamento do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques. Não há data prevista para a decisão.

Se o TSE der provimento ao recurso, o registro de candidatura será indeferido retroativamente, e Ney Santos perde o mandato obtido nas urnas, mesmo já tendo sido diplomado.

O caso se soma a outras disputas recentes sobre candidatos ligados a facções, como a de Val Ceasa, barrado pelo TRE-RJ por vínculo com facção. A diferença é que, em São Paulo, a urna já decidiu antes do mérito.