Pelo menos 71 mil eleitores que votaram em Lula (PT) para presidente não escolheram Fernando Haddad (PT) para governador no primeiro turno de domingo (4/10), segundo levantamento do g1 nas 66 cidades da região de Ribeirão Preto e Franca (SP).
Na soma dos 66 municípios, Lula teve 449.388 votos contra 377.949 de Haddad, de acordo com números do TSE compilados pelo g1. O mesmo descolamento apareceu do outro lado do espectro político.
O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) teve 862.636 votos na região, 86.888 a mais que Flávio Bolsonaro (PL), o candidato à Presidência mais votado ali.
Como o voto é secreto e cada cargo é apurado separadamente, não é possível saber quantos eleitores escolheram Lula e Tarcísio ao mesmo tempo.
O g1 também mostra que Tarcísio tem 59% dos evangélicos em SP, contra 20% de Haddad, uma das bases que ajuda a explicar o descolamento.
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Para o cientista político João Augusto do Carmo, o fenômeno tem explicação na forma como o brasileiro decide o voto. “O eleitor brasileiro vota em pessoas, em identidades de pessoas e não em identidades de partidos ou ideias”, afirma.
Carmo avalia que a aliança entre os dois petistas pesou mais para um lado do que para o outro. “O Lula ajudou muito mais o Haddad nessa eleição do que o Haddad contribuiu para ampliar os votos ao presidente Lula”, diz.
O pesquisador lembra que Lula já usou a mesma estratégia no passado: em 2002, teve como vice o empresário José Alencar, o que sinalizou abertura a setores mais à direita.
Ele cita ainda o desgaste de Haddad à frente do Ministério da Fazenda como fator do descolamento local. “É claro que isso mexe com o bolso dos empresários, mexe com finanças, mexe com bancos”, diz Carmo.
O descolamento de voto é parte do que especialistas chamam de voto útil, estratégia que pesa mais na reta final da disputa. O eleitor escolhe o cargo nacional por afinidade e o estadual por avaliação de governo, ou o contrário.
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O ponto em aberto
O levantamento mostra que presidente e governador não andam sempre juntos nas urnas, nem à esquerda nem à direita. A própria experiência de Lula com José Alencar, em 2002, mostra que essa dissociação de voto não é novidade.
A pergunta que a região de Ribeirão Preto e Franca deixa para o 2º turno é se o eleitor volta a separar o voto entre os dois cargos ou se concentra a escolha num nome só, agora que resta apenas a disputa pela Presidência.
Os números da região também se conectam a outro dado do 1º turno: em duas cidades do país, Flávio e Lula empataram voto a voto, numa eleição marcada por margens apertadas.





























