A Bahia registrou 9.990 casos prováveis de chikungunya entre janeiro e 15 de setembro de 2026, segundo a Secretaria de Saúde do estado (Sesab). É uma alta de 364,9% sobre os 2.149 casos do mesmo período de 2025, ano anterior.

No mesmo período, a dengue andou no caminho oposto: os casos caíram 16,5% na Bahia, de 27.894 para 23.285. A chikungunya já causou 2 mortes confirmadas no estado em 2026; a dengue, 12.

O surto de chikungunya não ficou restrito a poucas cidades. Foram 201 municípios baianos com casos registrados, e 22 deles tiveram incidência acima de 100 casos por 100 mil habitantes.

O movimento contraria a tendência nacional projetada para a dengue. Segundo o InfoDengue-Mosqlimate (FGV e Fiocruz), o Brasil deve fechar a temporada de outubro de 2025 a outubro de 2026 com cerca de 1,8 milhão de casos prováveis.

O número é bem menor que o pico de mais de 6,5 milhões de casos em 2024, mas um pouco acima dos 1,6 milhão registrados em 2025, ano que teve 1.821 mortes confirmadas pela doença.

Onde a dengue deve se concentrar

A dengue tende a ficar concentrada em poucos estados em 2026. São Paulo deve responder sozinho por 536.778 casos, 54% do total projetado para o país, seguido por Minas Gerais, com 274.602 casos.

Goiás (105.457 casos) e Paraná (77.683 casos) completam a lista dos estados mais afetados pela dengue na projeção. Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e Tocantins são os únicos com tendência de alta.

Publicidade

Já Pernambuco tem vivido um movimento inverso ao nacional, com casos de dengue subindo 35,9% mesmo com queda nas mortes, o que mostra que a tendência de recuo não é uniforme pelo país.

Dengue, chikungunya e zika são causadas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti. Isso torna o combate ao vetor a principal ferramenta de controle das três doenças ao mesmo tempo.

O mosquito está entre os animais que mais transmitem doenças a humanos no mundo, segundo especialistas, por características biológicas que facilitam a propagação de vírus.

A Sesab recomenda eliminar água parada e vedar caixas d'água como medida de prevenção. Em outros estados, o combate já usa tecnologia adicional: Minas Gerais usa drones para monitorar quase 500 mil hectares em busca de focos do mosquito.

O ponto em aberto

Os números mostram que vencer a dengue não significa vencer o Aedes aegypti. O mesmo mosquito que perde terreno para uma arbovirose pode, ao mesmo tempo, abrir espaço para outra crescer quase cinco vezes numa única safra.

A pergunta em aberto é por que o mesmo mosquito, na mesma região, favorece uma arbovirose enquanto outra recua. Nem a Sesab nem o InfoDengue-Mosqlimate apontaram uma causa isolada para essa troca de posições.