O uso prolongado e contínuo de celular, computador ou tablet causa fadiga ocular, ressecamento nos olhos e dor de cabeça, além de estar associado ao aumento de miopia em crianças e adolescentes, apontam oftalmologistas ouvidos pelo Metrópoles nesta terça-feira (6/10).
O quadro é conhecido como síndrome da visão de computador, ou fadiga ocular digital. Ele não decorre da radiação do monitor, mas da dinâmica de uso sem pausas, da distância inadequada de leitura e da redução da frequência com que a pessoa pisca.
Durante a concentração em telas, a taxa de piscamento pode cair para menos da metade da média normal, e as poucas piscadas que sobram costumam ser incompletas, sem que as pálpebras se fechem por inteiro.
A lubrificação do olho depende do espalhamento uniforme da lágrima sobre a córnea. Sem essa renovação constante, o fluido evapora rápido e abre espaço para ardência, vermelhidão e visão embaçada passageira.
“O problema principal não é a tela em si, mas o jeito como a usamos: horas seguidas olhando para perto, piscando pouco e sem pausas”, explica o oftalmologista Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá.
“Isso cansa o músculo responsável pelo foco e resseca a superfície do olho”, completa Sardinha. A síndrome também costuma vir acompanhada de dor no pescoço e nos ombros, pela postura incorreta na frente da tela.
Para o oftalmologista Ibraim Vieira, do CBV-Hospital de Olhos, o termo não descreve uma doença ocular nova, e sim um conjunto de sintomas que ficou mais comum com o aumento do uso de telas.
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“Ela não deve ser entendida como uma nova doença ocular bem definida. O termo reúne um conjunto de sintomas que passaram a ser relatados com muita frequência com o aumento do uso de telas”, afirma Vieira.
O tema já preocupava especialistas fora do contexto digital: hábitos diários simples já vinham sendo apontados como risco à saúde dos olhos, mesmo antes do boom do trabalho remoto.
O que fazer para reduzir o cansaço visual
Fazer pausas regulares durante o uso de telas é a medida mais citada pelos especialistas para reduzir os sintomas. Lembrar de piscar conscientemente com mais frequência também ajuda a repor a lágrima que evapora durante a concentração na tela.
A preocupação cresce também fora da rotina de trabalho adulto: o uso excessivo de telas em crianças pequenas já é associado a outros impactos no desenvolvimento, além do efeito direto sobre a visão.
O cuidado com os olhos no dia a dia também muda com a estação do ano: o tempo seco do inverno tende a piorar o ressecamento ocular de quem já passa muitas horas em frente a telas.





























