Fábio Félix (PSOL) foi o candidato mais votado para deputado federal no Distrito Federal, com 224.224 votos no domingo (4/10), a 3ª maior votação da história do DF para o cargo. Mesmo assim, não conseguiu eleger nenhum colega de federação para a Câmara.
Ele teve 100 mil votos a mais que o segundo colocado e respondeu por mais de 90% dos votos da federação PSOL-Rede na capital. A segunda candidata mais votada do grupo, a Enfermeira Karine (PSOL), recebeu apenas 4.366 votos.
O motivo está no quociente eleitoral: no DF, um candidato precisa de pelo menos 20,7 mil votos próprios para aproveitar o excedente de votos de outro nome da mesma coligação. Karine ficou bem abaixo disso.
Esse número varia a cada eleição e em cada unidade da federação, porque depende do total de votos válidos dividido pelo número de cadeiras em disputa. A regra vale para a Câmara, mas não para o Senado, decidido por maioria simples.
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O caso de Fábio Félix contrasta com o do PL no DF. Terceiro mais votado, Alberto Fraga teve 118.579 votos, e o partido somou 448.883 votos ao todo, garantindo uma bancada de 3 deputados.
Um deles, o senador Izalci Lucas, teve a 5ª maior votação do DF (88.056 votos). Mas só garantiu a cadeira pelo somatório de votos do PL, segundo o sistema do TSE.
É o chamado “eleito por média”, regra que decidiu 485 das 513 cadeiras da Câmara neste ano.
A federação de PT, PV e PCdoB também conseguiu usar o mecanismo a seu favor no DF e elegeu duas cadeiras. O ex-governador Agnelo Queiroz (PT) teve votação própria de 43.542 votos.
Já o deputado reeleito Reginaldo Veras (PV) teve 43.179 votos, menos de 500 a menos que Agnelo, e ainda assim se elegeu graças às sobras de votos da federação.
O segundo colocado geral no DF, Rafael Prudente (MDB), também não teve companhia: foi reeleito com 119.427 votos e será o único deputado do partido na bancada local.
Como funciona o cálculo que decide as vagas
O número de cadeiras que um partido ou federação ocupa depende de dois cálculos: o quociente eleitoral (total de votos válidos dividido pelo número de vagas) e o quociente partidário, que reparte essas vagas entre as legendas.
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Quem tem votação individual alta, mas está isolado numa coligação pequena, só garante a cadeira se a soma de votos da própria sigla alcançar o quociente eleitoral — não basta vencer sozinho.
É por isso que uma votação recorde, como a de Fábio Félix, não se traduz automaticamente em mais poder de bancada: sem outros nomes da federação acima do piso mínimo, o excedente de votos simplesmente não vira mandato para ninguém.
O resultado se soma a outro retrato da renovação legislativa: o DF renovou mais da metade da sua bancada na Câmara nesta eleição.





























