Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos contra 45,16%. Se vencer o segundo turno, em 25 de outubro, ele pode se tornar o nono presidente sul-americano alinhado ao projeto de influência regional de Donald Trump.

Na segunda-feira (5), questionado sobre o resultado, Trump disse: "Bom, é uma grande vitória. Muito apertada, mas impressionante, na verdade." O republicano evitou comentar mais a disputa brasileira.

A aproximação entre os dois vem de 2026. Em maio, Flávio foi à Casa Branca e disse ter pedido que os EUA classificassem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida a que Lula se opunha.

A decisão dos EUA sobre as duas facções saiu em maio e já gerava divergência no governo brasileiro. Em junho, Trump recebeu Flávio no Salão Oval e elogiou o senador em rede social.

No mesmo mês, Flávio defendeu que o Pix não fosse internacionalizado e que o Brasil barrasse sistemas de pagamento "não ocidentais". Em setembro, ele prometeu que o país entraria no Escudo das Américas, a coalizão de segurança lançada por Trump, se eleito.

O que é a doutrina que guia Trump na região?

O movimento segue uma estratégia declarada. Em dezembro de 2025, o governo Trump divulgou nova política de segurança nacional prometendo retomar a Doutrina Monroe, de 1823. A doutrina original defendia que potências de fora do continente não deveriam interferir nas Américas.

O texto do governo americano afirma: "Depois de anos de abandono, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental."

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Na prática, a doutrina ganhou corpo no Escudo das Américas, coalizão anti-narcotráfico lançada em março e hoje reunindo cerca de 16 países da região.

Pelo menos cinco presidentes sul-americanos já integram o grupo: Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Antonio Kast (Chile).

Quem questiona essa aproximação?

Nem todos os países da região endossam a abordagem americana. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chegou a dizer que o país agiria "sozinho" na região "se necessário", frase que o presidente da Colômbia rejeitou publicamente.

No Brasil, militares de alto escalão relataram preocupação com a possível adesão ao Escudo das Américas, temendo perda de controle sobre informações de defesa e impacto na indústria militar, segundo o ICL Notícias. Ambientalistas também criticaram as referências de Trump às terras raras do país.

O tema já dividiu Lula e Flávio na reta final da campanha.

Outra análise mostra por que a alegação de Trump sobre a região não fecha a conta.

O que esse alinhamento muda para o Brasil

O Brasil segue, até aqui, como o maior país da América do Sul fora do Escudo das Américas. A pergunta que fica é o que muda, na soberania sobre segurança e recursos minerais estratégicos, dependendo de quem vencer em 25 de outubro.

O 2º turno entre Flávio e Lula acontece em 25 de outubro. Até lá, Tarcísio de Freitas, recordista com 14.491.874 votos para governador de SP, deve reforçar a campanha de Flávio na Grande São Paulo.

Lula venceu Flávio em 12 dos 39 municípios da região, incluindo a capital. Tarcísio já articula apoio de outros quatro partidos para a reta final.