Torcedores do Flamengo exibiram uma faixa contra Lula, o Congresso e o STF no Maracanã, neste domingo (11), antes do clássico contra o Fluminense. O texto dizia: "O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra. Lula, Congresso e STF."
A faixa foi exibida no setor Norte do estádio, na entrada dos times, pela 30ª rodada do Brasileirão. Outra faixa, sobre a escala de trabalho 6x1, também ficou exposta durante todo o jogo.
O protesto é reação à MP 1.394/2026, assinada por Lula em 25 de setembro, que proibiu a publicidade e a oferta de apostas de quota fixa no país.
O Flamengo já havia pedido para participar das ações sobre o tema no STF, e o ministro Luiz Fux aceitou o clube como parte interessada, assim como o Fluminense e outros 15 clubes.
Por que os clubes reagem com tanta força?
Os patrocínios de bets somaram cerca de R$ 1 bilhão para os clubes da Série A em 2025, o equivalente a cerca de 20% da folha salarial média dos times.
Antes da proibição, 14 das 20 equipes da elite tinham contrato com alguma casa de apostas.
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No caso do Flamengo, a perda já tem efeito prático: o clube avalia vender até três jogadores para equilibrar as contas sem a receita das apostas.
O governo federal defende a proibição citando "proteção à saúde pública e combate ao endividamento das famílias".
"Trata-se de uma medida eleitoreira e irresponsável que rompe contratos", critica Fabiana Bentes, presidente do instituto Sou do Esporte. Para o especialista no setor Bernardo Cavalcanti Freire, "uma MP para derrubar uma lei debatida e promulgada há dois anos e meio é uma excrescência jurídica".
E a escala 6x1, por que entrou na faixa?
A segunda faixa pede o fim da jornada 6x1, que tramita como PEC e deve ser votada pelo Senado nesta quarta-feira (14). O tema não tem relação direta com o futebol profissional, mas virou bandeira popular nas arquibancadas.
Lula já havia desafiado Flávio Bolsonaro a votar pelo fim da escala no Senado, no meio da disputa do 2º turno.
A mesma faixa reúne uma pauta corporativa, defendida pelos próprios clubes que perdem patrocínio, com uma bandeira trabalhista sem relação direta com o futebol, mirando as três esferas de poder ao mesmo tempo, algo raro na arquibancada.
O ponto em aberto
A MP das bets ainda precisa ser votada pelo Congresso para virar lei definitiva. Enquanto isso, o STF analisa as ações dos clubes contra a proibição.
O Senado vota a escala 6x1 nesta quarta-feira. As três frentes miradas pela faixa seguem, ao mesmo tempo, em aberto.





























