Quatro policiais militares foram afastados após atirar 45 vezes contra Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, atingido por 27 tiros em Moema, na zona sul de São Paulo, no sábado (10/10). Os agentes confundiram o celular da vítima com uma arma, segundo a SSP-SP.
A PM foi chamada para atender um homem em crise emocional, que ameaçava se machucar. Gustavo não tinha arma de fogo nem passagem pela polícia, segundo o boletim de ocorrência do caso.

A perícia apontou 27 ferimentos por arma de fogo no corpo de Gustavo, incluindo cabeça, rosto e tórax. As quatro armas usadas pelos agentes foram apreendidas, e a SSP-SP requisitou as imagens das câmeras corporais da ação.
Em nota, a SSP-SP informou que todos os procedimentos adotados durante e após a ocorrência serão apurados e que irregularidades serão "punidas com rigor".
Quantas pessoas as polícias brasileiras mataram em 2025
As polícias brasileiras mataram 6.602 pessoas em 2025, recorde da série histórica iniciada em 2016, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) calcula uma média de 18 mortes por dia, alta de 5,4% sobre o ano anterior.
A taxa de mortes em intervenções policiais entre pessoas negras foi de 3,5 por 100 mil habitantes em 2025, mais que o triplo da registrada entre pessoas brancas, de 1,0 por 100 mil, segundo o mesmo levantamento.
O que mostram os números em São Paulo
Policiais mataram 877 pessoas em ações no estado de São Paulo em 2025, o maior número em seis anos, segundo o Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública (Gaesp).
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O aumento chega a 60% desde o início do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2023.
Só no primeiro trimestre de 2026 foram 142 mortes de civis por policiais em serviço em SP, cinco a mais que no mesmo período de 2025. A região metropolitana concentrou 120 das 241 mortes entre janeiro e abril; o interior já soma 35,3%.
"Cria uma polícia do confronto. Precisamos de uma polícia que resolva conflitos, não de uma polícia que crie conflitos", afirma Mauro Caseri, ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo.
"A redução da vitimização policial exige inteligência operacional e protocolos de atuação que priorizem a preservação da vida do agente de segurança e a diminuição da lógica de confronto", diz Carolina Ricardo, diretora executiva do Instituto Sou da Paz.
Em outro caso de grande repercussão, um júri absolveu dois PMs pela morte de um jovem rendido em Paraisópolis, em julho.
O uso de câmeras corporais, como as requisitadas no caso de Moema, também virou tema de disputa entre candidatos a governo em outros estados.
Quem precisa de apoio emocional pode ligar para o CVV, pelo telefone 188, atendimento gratuito e sigiloso 24 horas.
O ponto em aberto
O caso de Moema entrou para a investigação da Corregedoria da PM, enquanto o estado soma recorde de mortes em abordagens. A pergunta é se a revisão de protocolos de uso da força, defendida pelo próprio ouvidor, vai sair do papel antes do próximo caso.































