O Círio de Nazaré chega à 234ª edição neste domingo (11), com a procissão principal reunindo mais de 2 milhões de pessoas em Belém. A festa, que começou como lenda em 1700, deve injetar R$ 207,5 milhões na economia do Pará este ano.

A alta é de 4,4% sobre 2025. A procissão principal saiu às 7h da Catedral da Sé rumo ao Santuário de Nazaré, percurso de 3,6 km que dura cerca de seis horas.

No sábado (10), a Trasladação já havia reunido mais de 1 milhão de pessoas em Belém.

Quanto a fé movimenta em Belém

A pesquisa do Observatório do Turismo do Pará, com o Dieese-PA, projeta 105 mil turistas para a edição 2026, 5% a mais que no ano anterior. O levantamento ouviu 1.200 pessoas na Basílica de Nazaré e na Casa de Plácido.

Alimentação e hospedagem concentram mais de dois terços do gasto do turista, o que explica por que hotéis e restaurantes de Belém tratam o período como a alta temporada do ano.

O Círio de Nazaré é uma das maiores expressões da identidade e da cultura paraense.

A frase é do secretário de Turismo do Pará, Emílio Bernardo Ramos.

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No mesmo fim de semana, outra romaria católica moveu a economia em escala ainda maior: o feriado de Nossa Senhora Aparecida injetou R$ 3,59 bilhões no turismo de São Paulo, mais de 17 vezes o valor movimentado pelo Círio.

233 anos de uma procissão que virou patrimônio da humanidade

A tradição remonta a 1700, quando o caboclo Plácido José de Souza teria encontrado uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens de um riacho, que voltava sozinha ao local mesmo depois de removida.

A primeira procissão oficial aconteceu em 1793, a mando do Capitão-General do Grão-Pará. Hoje o Círio é reconhecido como patrimônio imaterial pelo Iphan e como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Para quem segue a fé por trás dos números, uma mãe que cumpre promessa há 45 anos e os pedidos de saúde que viram palco de fé mostram o lado pessoal da multidão.

Receber multidões desse tamanho exige logística de Estado. A Operação Círio 2026 da Polícia Militar do Pará mobiliza mais de 4 mil agentes, 300 viaturas e 400 motocicletas.

O esquema soma Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, guardas municipais e Forças Armadas, com até 5 mil pessoas, 750 viaturas e 15 drones envolvidos.

O ponto em aberto

A pesquisa da Setur mede bem o turista que já decidiu vir a Belém, mas não contabiliza os devotos locais e de cidades vizinhas que também sustentam a festa com seus gastos.

O recorte oficial, hoje, fala só de turismo. A dimensão real do Círio para a economia paraense, somando quem já mora ali, ainda não tem um número fechado.