A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) assinou contrato para vender a CSN Cimentos ao grupo chinês Huaxin por R$ 12,7 bilhões, segundo fato relevante divulgado aos investidores no domingo (8 de novembro), em operação que pode sofrer ajustes até a conclusão.
O valor corresponde ao chamado enterprise value da unidade, e os ajustes finais vão considerar a dívida líquida e o capital de giro da CSN Cimentos.

Segundo o fato relevante, a venda é "uma etapa importante na estratégia da companhia voltada à redução do seu endividamento e o equacionamento da sua estrutura de capital".
A conclusão do negócio depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), da anuência prévia da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e de autorizações regulatórias na China. O fato relevante não informa prazo para a conclusão.
A negociação era discutida havia meses. Ela ganhou força como uma das primeiras medidas do novo CEO, Fabio Schvartsman, que assumiu o cargo de Benjamin Steinbruch após mais de duas décadas à frente da companhia.
Por que a CSN está vendendo ativos
A venda da cimenteira integra o esforço da CSN para reduzir o endividamento. No fim de julho, a companhia estimou prejuízo líquido entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre, ante R$ 861,9 milhões no mesmo período de 2025.
Em outubro, a CSN já havia vendido uma siderúrgica alemã por € 550 milhões para reduzir dívida, parte da mesma estratégia de desinvestimento.
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A CSN buscava ao menos R$ 15 bilhões pela cimenteira em agosto, quando decidiu vender o negócio por completo, mas reduziu a pretensão para R$ 12 bilhões.
A J&F Investimentos, dos empresários Joesley e Wesley Batista, havia oferecido R$ 10 bilhões pela unidade. Votorantim, Polimix e a italiana Cementir também eram cotadas como compradoras.
O que a chegada da Huaxin representa
A operação marca a entrada da China no mercado de cimento do Brasil, segundo o South China Morning Post.
A CSN Cimentos opera 7 fornos e 6 estações de moagem, com capacidade de 17 milhões de toneladas por ano, cerca de 21% do mercado brasileiro.
A Huaxin, fundada em 1907 em Wuhan, é descrita como o berço da indústria de cimento chinesa, com mais de 110 anos de atuação. Tem valor de mercado de cerca de US$ 2,3 bilhões e mais de 300 filiais e subsidiárias ao redor do mundo.
A compra da CSN Cimentos se soma a outros investimentos chineses recentes no Brasil, como o interesse em minas de terras raras no país.
As ações da CSN (CSNA3) fecharam a sexta-feira (6 de novembro) em alta de 8,89% e chegaram a entrar em leilão na B3. O valor da operação é mais do que o dobro dos R$ 5,6 bilhões que a siderúrgica vale na bolsa.
O mercado já precificava o acordo um dia antes do anúncio oficial no domingo.






























