A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro foi quase 10 pontos percentuais maior entre mulheres do que entre homens no 2º turno, segundo estudo do professor Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp) da FGV.
A diferença de gênero no voto é a maior desde 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro. O cálculo usa regressão ecológica, método estatístico que estima como um grupo votou a partir da comparação entre seções eleitorais do mesmo local, como uma escola.

A vantagem de Lula entre mulheres foi de 9,8 pontos percentuais no 2º turno de 2026, segundo o estudo, ante 6,4 pontos em 2022. Quanto mais mulheres votavam numa seção eleitoral, maior era a vantagem do petista sobre Flávio.
O efeito foi ainda mais forte entre jovens. Na faixa de 18 a 20 anos, a preferência por Lula entre mulheres superou a dos homens em 25 pontos percentuais, a maior diferença entre as faixas etárias analisadas pelo estudo.
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O que explica a preferência das mulheres
Especialistas apontam três fatores: a defesa de programas sociais como o Bolsa Família, o receio de cortes em serviços públicos essenciais e a reação à postura mais agressiva de Flávio nos debates.
Mais de 80% dos titulares do Bolsa Família são mulheres, chefas de família, e o reajuste do benefício anunciado por Lula na campanha mirou diretamente esse eleitorado.
O tom do adversário também pesou: parte dos eleitores classificou o debate entre Lula e Flávio como decepcionante, e analistas associam a rejeição de parte do público feminino à agressividade do senador nos confrontos diretos.
O que isso muda na política
O resultado reforça um padrão observado desde 2022: quanto mais mulheres entre os eleitores, maior a vantagem do PT. Mas o avanço feminino nas urnas ainda não se traduz em representação.
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O Congresso eleito em 2026 tem o maior número de mulheres da história, mas segue longe da paridade com os homens. Em 203 anos, o Senado nunca teve uma mulher na presidência.
O ponto em aberto
O estudo mostra uma tendência que cresceu entre 2022 e 2026, não uma causa única: a diferença de voto por gênero pode refletir tanto a defesa de programas sociais quanto a rejeição a um estilo de campanha mais agressivo.
A pergunta que fica é se os partidos vão disputar esse eleitorado com propostas específicas, ou seguir tratando o voto feminino como resultado de bastidor.






























