Oito em cada dez brasileiros (81%) acham que o país saiu mais dividido das eleições de 2026, segundo pesquisa Quaest divulgada no domingo (8 de novembro). Para 15%, o Brasil ficou mais unido, e 4% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 30 de outubro e 2 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, contratada pela Genial Investimentos.

Multidão em manifestação política em via pública, com faixas e bandeiras
Manifestação política em imagem de arquivo, sem relação com um ato específico de 2026 Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Apesar da sensação de divisão, 94% dos entrevistados torcem para que Lula faça um bom governo, o mesmo percentual registrado em dezembro de 2022, após a eleição daquele ano.

O temor pelo futuro do país também recuou. A proporção de brasileiros preocupados caiu 6 pontos percentuais, de 54% em dezembro de 2022 para 48% em novembro de 2026.

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Por que a sensação de divisão não baixa

A mesma pesquisa mostra que a aprovação de Lula é de 48% e a desaprovação, de 44%, saldo mais apertado entre presidentes reeleitos desde a redemocratização. Em 2006, Lula tinha saldo de 38 pontos; Dilma, 18, em 2014.

Cientistas políticos descrevem a polarização brasileira como majoritariamente afetiva, a rejeição ao adversário pesa mais que a discordância de ideias, e historicamente assimétrica: a rejeição da direita ao PT costuma ser maior que a da esquerda a seus rivais.

O que isso significa para o eleitor

Durante a campanha, a Quaest já mostrava o fenômeno: entre eleitores sem partido, 59% preferiam uma opção fora da polarização entre petismo e bolsonarismo. Passada a eleição, a divisão percebida pela maioria não diminuiu.

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O padrão de voto também era desigual entre as duas candidaturas: o eleitor de Lula votava mais por adesão, e o de Flávio aparecia mais dividido entre apoio ao candidato e rejeição ao adversário, ainda na campanha.

O ponto em aberto

A divisão percebida por 8 em cada 10 brasileiros convive com um dado contraditório: menos gente está preocupada com o futuro do que em 2022.

A pergunta que o próximo período vai responder é se essa percepção de país dividido é um retrato duradouro, ou só o reflexo imediato de uma disputa ainda recente.