O fim da escala de trabalho 6x1 e a isenção de impostos sobre a cesta básica são as duas promessas que os eleitores mais querem ver cumpridas no mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Quaest divulgada no domingo (8 de novembro).
Na lista com 15 compromissos de campanha, 17% dos entrevistados escolheram a redução da jornada como prioridade máxima, e 16% apontaram a desoneração dos alimentos básicos. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, as duas opções estão tecnicamente empatadas.

Depois aparecem a valorização do salário mínimo (11%), o Pacto Contra o Feminicídio (10%) e a ampliação do Farmácia Popular, com teleconsultas e exames gratuitos (8%). Nenhuma das demais promessas passa de 7%.
A isenção de impostos na cesta básica já tem data certa: com a reforma tributária, passa a valer em 1º de janeiro de 2027.
Já o fim da escala 6x1 foi aprovado pelo Senado em 14 de outubro, em PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas obrigatórias e sem corte de salário.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticava a proposta, mas mudou de voto a favor. A pesquisa, contratada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 30 de outubro e 2 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Por ter sido feita após o fim do pleito, não exige registro no TSE, exigência que vale para pesquisas de intenção de voto na campanha.
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O que acontece agora
O governo federal deve publicar na segunda-feira (9 de novembro) o decreto que regulamenta o fim da 6x1, segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A divulgação, prevista para a semana passada, foi adiada porque, segundo Marinho, Lula estava sem condições de participar do despacho.
A medida também é questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). O setor de comércio pediu à Corte que o fim da escala 6x1 seja adiado até 2028, e uma audiência de conciliação sobre o cronograma está marcada para terça-feira (10 de novembro).
Nem todos os trabalhadores são beneficiados pela nova regra: quatro grupos ficam de fora da mudança aprovada pelo Congresso.
O que mais preocupa os eleitores
A Quaest também perguntou o que mais preocupa quem está pessimista com o novo governo, grupo que soma 48% da amostra. Nessa parcela, 27% apontam economia, gastos e dívida pública; 17% citam segurança pública e violência; corrupção e governabilidade empatam com 12% cada.
A preocupação com a economia é maior entre eleitores de direita não bolsonaristas: 44% desse grupo citam o tema. Segundo o Banco Central, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em setembro, e o Tesouro projeta 83,7% no fim do ano.
Desde o resultado da eleição, o dólar subiu e a Bolsa caiu.
Na quarta-feira (4 de novembro), o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas de ajuste só serão apresentadas na segunda quinzena de novembro, quando Lula voltar da agenda internacional. O próprio presidente já havia evitado detalhar o ajuste fiscal em pronunciamento à nação.






























