A inteligência artificial tende a ampliar a vantagem competitiva de quem já lidera o comércio eletrônico no Brasil, em vez de equilibrar a disputa, segundo relatório do banco UBS BB. A análise avaliou a adoção da tecnologia pelo Mercado Livre, Magazine Luiza e Lojas Renner.

O principal risco, segundo os analistas, está no avanço de assistentes de IA de empresas como Google, Meta e OpenAI. Eles podem concentrar a busca por produtos e reduzir o tráfego e a receita publicitária das plataformas de comércio eletrônico.

Painel de debate sobre inteligência artificial reúne quatro pessoas sentadas em um palco
Debate sobre inteligência artificial na Câmara dos Deputados, em imagem de arquivo sem relação direta com o relatório do UBS BB Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados (CC BY)

Os modelos de IA devem ficar cada vez mais acessíveis, mas a capacidade de transformar recomendações em vendas continua dependendo de estruturas que variam entre as empresas: dados, estoque, meios de pagamento, prevenção a fraudes, logística e relacionamento com fornecedores.

O modelo de IA pode ser replicável, mas a capacidade de executar essas decisões é muito menos homogênea.

A frase é de Vinicius Strano, analista de varejo, e Leonardo Olmos, analista de tecnologia, ambos do UBS BB. Para eles, a vantagem fica com quem converte a tecnologia em mais receita, margem ou redução de custo, descontado o gasto com IA e nuvem.

Como a IA já aparece nos resultados

Os efeitos da tecnologia já aparecem nas operações das três empresas, segundo o relatório. No Mercado Livre, a busca com IA é associada a um aumento de cerca de 1 ponto percentual na taxa de conversão, a proporção de visitas que viram compra.

Os vendedores que usam o assistente de IA já respondem por quase metade do volume vendido no Mercado Livre, que também expandiu a logística no Brasil neste ano.

No Magazine Luiza, o WhatsApp da Lu, canal de vendas por conversa, já superou R$ 100 milhões em vendas acumuladas.

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Na Renner, que resiste à crise do varejo de moda, o desenvolvimento de parte das coleções ficou até 35% mais rápido, com lotes de teste chegando aos clientes em cerca de cinco semanas.

Parte desses números foi informada pelas próprias companhias ao banco e não consta de documentos públicos.

O que muda para o consumidor

Diante do avanço dos assistentes externos, as empresas adotam estratégias distintas. O Mercado Livre não abre seu catálogo a modelos de IA de terceiros, enquanto o Magazine Luiza aposta no WhatsApp como canal próprio de vendas.

O movimento já é sentido pelo consumidor: na Black Friday de 2026, parte do público usou IA para pesquisar preço antes de comprar.

A disputa deixou de ser sobre quem tem o melhor modelo de IA e passou a ser sobre quem consegue transformar a tecnologia em venda de verdade.