Uma pesquisa Quaest divulgada no domingo (8 de novembro) mostra que 62% dos brasileiros consideram errada a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos após a derrota eleitoral. Outros 29% acham a decisão correta, e 9% não souberam responder.

Como a direita se divide sobre a decisão

A pesquisa revela uma fratura dentro do próprio campo bolsonarista, não apenas entre esquerda e direita. Entre os eleitores de Flávio no 2º turno, 58% apoiam a ida aos Estados Unidos, mas 32% discordam dela.

A divisão cresce fora do núcleo mais fiel. Entre a direita não bolsonarista, o resultado é um empate técnico, com 46% a favor e 45% contra. Já os eleitores independentes reprovam a decisão por 63% a 21%.

O levantamento também perguntou o motivo da viagem. Para 56% dos entrevistados, Flávio buscou escapar da Justiça; 35% avaliam que foi uma estratégia de proteção contra perseguição política, e 7% não souberam responder.

A direita se divide e só um terço dos independentes apostam nessa ideia.

A frase é do diretor da Quaest, Felipe Nunes, publicada em sua conta na rede social X. Para ele, o sinal mais claro da pesquisa é que a base que votou em Flávio no segundo turno parece rachada.

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O levantamento indica ampla repercussão do caso. 89% dos entrevistados afirmam ter tomado conhecimento da ida de Flávio aos Estados Unidos, o maior índice entre os fatos testados pela Quaest.

Na mesma lista, o escândalo do Banco Master teve 75% de conhecimento, e as investigações sobre o filho de Lula, 66%.

O estudo também mediu a reação à autoproclamação presidencial tentada por Flávio depois da derrota. Quase sete em cada dez entrevistados dizem conhecer o episódio, e 59% desaprovam o gesto.

O que está por trás da ida aos Estados Unidos

A saída de Flávio para os Estados Unidos aconteceu em meio a uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro com empresas de apostas esportivas e evasão de divisas, que também atinge o advogado Willer Tomaz.

A Polícia Federal descreve Willer Tomaz como amigo próximo do senador. A corporação encontrou uma sala secreta em um hangar dele, e o ministro Alexandre de Moraes já bloqueou valores ligados ao advogado.

A TV Sim Brasil já mostrou que o avião que levou Flávio aos Estados Unidos custou R$ 414 mil.

A saída também gerou reação política imediata. O PDT chamou a decisão de Flávio de "ilegal" na época, posição que a pesquisa agora mostra ecoar entre a maioria dos eleitores, inclusive parte da própria direita.

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Também no domingo (8 de novembro), outra pesquisa da Quaest mostrou como as lideranças evangélicas reagem à derrota de Flávio Bolsonaro, base que foi decisiva para o senador no 2º turno.

A pesquisa foi contratada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Por ser levantamento de opinião pós-eleitoral, feito depois do encerramento do 2º turno, não é pesquisa de intenção de voto sujeita a registro prévio no TSE.

Flávio segue nos Estados Unidos.