Mulheres pretas, pardas e indígenas com 50 anos ou mais fazem menos mamografia do que brancas e amarelas. Um estudo da revista Ciência & Saúde Coletiva, publicado em junho, mostra 71,9% contra 82,2% de mulheres que já fizeram o exame ao menos uma vez.

O levantamento usou dados da 1ª onda do Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso Brasileiro (Elsi-Brasil), coletados em 2015 e 2016. A autora correspondente é a economista Alana Ramos da Silva, da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).

"A realização da mamografia não se dá de maneira igualitária, e as desigualdades também se refletem no acesso aos serviços de saúde", diz Alana Ramos da Silva.

O estudo relaciona a diferença a fatores socioeconômicos: convênio particular e casamento aumentam a chance de fazer o exame, enquanto cada filho reduz.

Se as mulheres pretas, pardas e indígenas tivessem o mesmo perfil das brancas e amarelas, a chance seria 5,9% maior, mas ainda sobrariam 4,3 pontos de diferença sem explicação.

A desigualdade racial no acesso à mamografia não desaparece, mesmo igualando a renda.

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A cobertura da mamografia pelo SUS foi de 23,7% entre mulheres de 50 a 69 anos, de 2015 a 2024. A meta de referência é 70%. O Inca projeta 78.610 novos casos de câncer de mama no país entre 2026 e 2028.

O Inca também divulgou levantamento com 24 estudos de seis países: mortalidade quase quatro vezes maior entre mulheres negras, apesar de menor incidência. Elas também têm maior incidência do subtipo triplo-negativo, mais agressivo e com menos opções de tratamento hormonal.

Por que a desigualdade persiste

A chefe da Divisão de Detecção Precoce do Inca, Renata Maciel, atribui parte do problema ao histórico de acesso à saúde. "A gente sabe que, historicamente, a população negra tem menos acesso aos serviços de saúde", disse a médica.

A desigualdade também é regional: a cobertura do SUS vai de 3,5% a 34% entre os estados, longe da meta de 70% em todos eles. Nos planos de saúde, a cobertura da mamografia digital passou a valer sem limite de idade a partir de setembro.

O que acontece agora

A espera por mamografia pelo SUS já é três vezes maior do que a lei permite em parte do país. A autora do estudo defende que o poder público entenda e enfrente as barreiras que afastam mulheres negras e indígenas do exame.