Fernando Francischini (PL), primeiro parlamentar cassado pela Justiça Eleitoral por espalhar fake news sobre urnas eletrônicas, foi eleito deputado federal pelo Paraná com 53.207 votos no domingo (4). Ele vai dividir a bancada paranaense com o próprio filho, Felipe Francischini (Pode), reeleito com 106.907 votos.

O Paraná tem 30 vagas na Câmara. Pai e filho estão em partidos diferentes e fizeram campanhas independentes, mas ambos são bolsonaristas e romperam com o grupo do governador Ratinho Junior (PSD) para apoiar o senador Sergio Moro (PL), eleito governador do estado.

Francischini se tornou conhecido nacionalmente em 2021, quando o plenário do TSE cassou seu mandato de deputado estadual por uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político.

A condenação teve origem numa live feita por ele no dia da eleição de 2018, afirmando que duas urnas estavam "fraudadas" e não aceitavam votos no então candidato Jair Bolsonaro, o que não era verdade.

A inelegibilidade de oito anos, contada a partir do 1º turno de 2018 (7 de outubro), termina justamente nesta quarta-feira (7). O prazo da pena se encerra no mesmo dia em que ele retoma o mandato que perdeu por causa dela.

Uma família, três cadeiras

A eleição também levou ao poder duas mulheres ligadas à família. Flávia Francischini (PL), esposa de Fernando, foi reeleita deputada estadual com 63.831 votos, em campanha conjunta com o marido.

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Lu Bonatto (Pode), mãe de Felipe, estreia na Assembleia Legislativa do Paraná com 39.738 votos, em dobradinha com o filho. Juntos, a família Francischini garantiu quatro mandatos nestas eleições.

O grupo passa a integrar a base aliada de Moro, que também elegeu outros nomes ligados ao bolsonarismo para o Senado do Paraná, caso de Deltan Dallagnol, eleito em meio a disputa no TSE.

Não é o único caso

Francischini não é o único político com passagem por condenação a retornar à Câmara nesta eleição. João Paulo Cunha, condenado no mensalão, também volta ao plenário após 13 anos fora do cargo.

A ruptura de Francischini com o grupo governista já era esperada: em setembro, o próprio Ratinho Junior chegou a deixar o governo para tentar reverter a terceira colocação de seu aliado na disputa.

O que acontece agora

Pela nova legislação eleitoral, o que determina se um candidato pode disputar o pleito é a situação de inelegibilidade na data da diplomação, prevista para até 18 de dezembro. Francischini toma posse como deputado federal em fevereiro de 2027.