A participação das marcas chinesas no mercado brasileiro de veículos saltou de 9% para 17% em um ano, segundo o Valor Econômico. Em setembro, o avanço foi ainda maior. Marcas chinesas somaram 21,4% dos emplacamentos, mais que o dobro dos 10,1% de setembro de 2025.

Os números são da Fenabrave, a federação que reúne as concessionárias do país.

O crescimento ocorre mesmo com o Brasil elevando a tarifa de importação de elétricos ao teto de 35% permitido pelo Mercosul, patamar alcançado em julho deste ano.

A alíquota no teto não barrou o avanço chinês. A fatia dessas marcas dobrou no mesmo período em que a tarifa terminou de subir.

Carro elétrico conectado a um ponto de recarga pública no Brasil
Carregador de veículo elétrico em uso no Brasil, onde montadoras locais defendem tarifa maior sobre os importados chineses. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já pedia a antecipação desse teto ao vice-presidente Geraldo Alckmin.

Segundo a CNN Brasil, o presidente da entidade, Márcio Lima Leite, classificou o ritmo das importações chinesas como uma "invasão" que pressiona a indústria instalada no país.

A BYD segue como a chinesa mais forte no varejo brasileiro, com domínio de 64,7% do segmento 100% elétrico e 39,1% dos híbridos plug-in.

O Dolphin Mini ficou em 3º lugar entre os carros mais emplacados do país em setembro, atrás apenas do Fiat Strada e do Volkswagen Polo.

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GWM, Caoa Chery e Omoda Jaecoo completam o pelotão chinês, cada uma líder de um nicho diferente do mercado. A Haval H6 lidera os híbridos plug-in da GWM, e a Omoda 5 lidera os híbridos convencionais.

O que o resto do mundo faz diferente

Nos Estados Unidos e na Europa, a resposta ao mesmo avanço chinês foi mais dura. Desde o governo Biden, os Estados Unidos aplicam tarifa de 100% sobre elétricos chineses, o que praticamente fecha o maior mercado automotivo do mundo a essas marcas.

A União Europeia cobra até 35,3% sobre elétricos chineses, acima dos 10% padrão para os demais países, e já estuda taxar também os híbridos plug-in.

A fatia chinesa nesse segmento saltou de 18% para 30% do mercado europeu entre abril de 2025 e abril de 2026, com vendas crescendo 236% no período.

Mesmo com a barreira, 22% dos elétricos comprados na União Europeia entre janeiro e abril deste ano vieram da China. A tarifa reduziu o ritmo, mas não reverteu a tendência.

A fábrica como resposta à tarifa

Parte da resposta brasileira ao avanço chinês está na fabricação local. A BYD já monta no país o Dolphin G, híbrido flex feito no Brasil dentro do Programa Mover, vendido a partir de R$ 140 mil.

A GWM seguiu o mesmo caminho e também abriu fábrica própria no país.

A disputa não é só de carros prontos. Pneus importados da China já geraram polêmica entre fornecedores nacionais, que reclamam da mesma concorrência de preço que hoje pressiona as montadoras tradicionais.

O carro chinês mais vendido do país em setembro, porém, ainda chegou pronto de fábricas chinesas. O BYD Dolphin Mini, 1º elétrico no top 3 de vendas do Brasil, somou 9.385 emplacamentos no mês.

O que acontece agora

A tarifa brasileira de 35% é o teto permitido pelo acordo do Mercosul. Qualquer alta adicional exigiria renegociação do bloco com Argentina, Paraguai e Uruguai.

Na Europa, o próximo capítulo da disputa é a decisão sobre taxar também os híbridos plug-in chineses, hoje em estudo em Bruxelas.