A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), disse nesta terça-feira (6) que a eleição presidencial não pode virar uma disputa sobre qual ministro do STF vai sofrer impeachment. Lyra defende julgamento de escândalos, mas critica o uso eleitoral do tema.

"Existem previsões de impeachment e é preciso seguir o devido processo legal. Quem, eventualmente, tiver responsabilidade, deve responder como qualquer outro brasileiro", disse Lyra ao jornal O Globo.

A governadora defende que se discuta reforma do Judiciário, mandato para ministros do STF e idade mínima para o cargo. Mas, segundo ela, "não no calor da eleição".

O tema ganhou peso porque o novo Senado eleito em 2026 teria votos suficientes para abrir um processo de impeachment no STF, ainda que o rito nunca tenha avançado antes.

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Pesquisas feitas ao longo da campanha mostraram que defender o impeachment no STF rende votos a candidatos ao Senado nesta eleição, o que ajuda a explicar por que o tema voltou à disputa presidencial.

Por que Lula e Flávio cortejam Raquel Lyra

Lyra, reeleita no 1º turno com 53,27% dos votos, se tornou peça-chave para os dois lados do 2º turno. Ela afirma já ter sido procurada por interlocutores de Lula e de Flávio, mas sem decidir a quem apoiar.

Dias antes da votação, uma pesquisa ainda testava Lyra contra o prefeito do Recife, João Campos. Lyra venceu no 1º turno, sem precisar de segundo turno estadual.

A vitória de Lyra também chamou atenção por outro motivo. Segundo o jornal O Povo, ela foi a única mulher eleita governadora já no 1º turno em 2026.

Segundo o Poder360, Lula acionou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), para intermediar a reaproximação com Lyra. A governadora contou que recebeu ligações de Rui Costa, Humberto Costa e Marília Arraes, todos aliados do presidente.

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Do lado de Flávio, o apoio já havia sido sinalizado antes do 1º turno. Em agosto, Michelle Bolsonaro indicou apoio a Lyra na disputa pelo governo de Pernambuco.

A disputa pelo apoio de Lyra mostra o peso dos governadores recém-eleitos como fiadores regionais no 2º turno, num momento em que cada estado pode pesar no resultado apertado da corrida presidencial.

O que acontece agora

Lyra diz que vai priorizar o governo de Pernambuco e aguardar antes de declarar apoio a qualquer um dos dois candidatos no 2º turno, marcado para 25 de outubro.