O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira (7) que o Irã perdeu o controle total do Estreito de Ormuz e que o petróleo já circula quase como antes da guerra. A declaração foi dada em coletiva em Atenas, na Grécia.

"Agora circula quase tanto petróleo quanto antes do início deste conflito. Portanto, eles perderam o controle total do estreito", declarou Rubio, que também minimizou a força militar iraniana: "são muito menos poderosos".

O Estreito de Ormuz está com o tráfego comprometido desde o fim de fevereiro, quando o Irã respondeu a ataques dos EUA e de Israel com o bloqueio da rota. Por ali passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializados no mundo.

Segundo a Kpler, empresa que monitora navios, mais de 80% do tráfego marítimo no estreito nas últimas duas semanas usou a rota alternativa de Omã, corredor autorizado pela ONU que o Irã rejeita.

"O Irã perdeu, ao menos parcialmente, o controle do estreito", avalia Homayoun Falakshahi, analista da Kpler.

Rubio também disse que as sanções "devastadoras" aplicadas pelos Estados Unidos estão afetando duramente a economia iraniana e que "a situação vai se tornar catastrófica" para Teerã. Os EUA ampliaram as sanções ao Irã há poucos dias, mirando o mercado automotivo iraniano.

Por que o Irã nega ter perdido o controle?

O Irã rejeita a versão americana e mantém a rota fechada enquanto não forem cumpridas sete condições negociadas com os EUA. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, afirmou que a diplomacia não vai mais esperar.

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"O Estreito de Ormuz não será reaberto até que nossas sete condições sejam cumpridas", disse Qalibaf, segundo a Agência Brasil. Ele acrescentou que Washington "precisa compreender que o período de prolongamento do processo diplomático chegou ao fim".

As sete exigências fazem parte do Memorando de Entendimento de Islamabad, acordado provisoriamente em junho entre Irã e Estados Unidos. O texto prevê reabertura da rota em até sete dias, caso sejam cumpridas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, diz que o foco do país é a segurança no estreito e cobra "medidas claras por parte dos EUA".

O que muda para o preço do combustível no Brasil

O preço do combustível no Brasil já sentiu o bloqueio em Ormuz. O diesel chegou a R$ 7,35 por litro no início de outubro, maior valor desde abril, alta de 7% em um mês segundo a ANP.

Se a rota realmente estiver voltando ao normal, como diz Rubio, a tendência é de alívio nas cotações internacionais que abastecem o mercado brasileiro. O Irã, porém, ainda não confirma reabertura alguma, e a oferta global de petróleo segue sem garantia.

Em setembro, o Estreito de Ormuz já havia registrado o maior fluxo de petróleo em seis meses, mas o alívio nos preços brasileiros se mostrou passageiro, e o diesel voltou a subir em outubro.

O que acontece agora

Omã e Irã negociam restabelecer a navegação livre pelo estreito sem a presença militar dos Estados Unidos, o que mantém incerta a definição de quem vai controlar a rota daqui para frente.

Rubio, que nos últimos dias também disse acompanhar de perto o 2º turno no Brasil, segue em giro pela Otan. Ao lado do chanceler grego George Gerapetritis, ele anunciou um memorando de cooperação antiterrorista entre as agências de segurança dos dois países.