Especialistas em clima alertam que o resultado do 1º turno das eleições de 2026 aumenta o risco de retrocessos na política ambiental brasileira, com o novo Congresso mais alinhado ao agronegócio e a políticos que questionam publicamente o aquecimento global.

"Há um risco muito grande de manutenção ou aumento do número de políticos eleitos negacionistas" em relação às mudanças climáticas, disse o climatologista Carlos Nobre, da USP e do Painel Científico para a Amazônia, à ClimaInfo.

Homem observa tronco de árvore de grande porte derrubada em área de floresta amazônica
Corte de árvore de grande porte em área de floresta na Amazônia (foto de arquivo). Foto: Ana Cotta/flickr via Openverse (BY)

O que já mudou nos últimos anos

Segundo Nobre, o Congresso atual já promoveu a flexibilização do licenciamento ambiental e impôs restrições à fiscalização remota por satélite, mecanismo usado para flagrar desmatamento em tempo real.

Boa parte dessas brechas já é usada por criminosos, como explica o próprio processo de licenciamento ambiental e suas vulnerabilidades, mapeado em matéria publicada em junho. Para Nobre, um Legislativo ainda mais alinhado ao bloco ruralista pode "desmontar completamente a política ambiental brasileira".

A nova bancada do Congresso

A Frente Parlamentar Agropecuária, principal bancada ruralista do Congresso, reelegeu 185 deputados e senadores no 1º turno, segundo dados compilados pela ClimaInfo, mantendo cerca de 40 cadeiras no Senado e cerca de 330 na Câmara.

Do outro lado, o MST elegeu 8 representantes, entre federais e estaduais, bem menos que a bancada ruralista. Ilona Szabó, do Instituto Igarapé, defende "cooperação interinstitucional, inteligência, combate à corrupção" contra o crime organizado na Amazônia.

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Para ela, a proteção da floresta é condição para a segurança hídrica, energética e alimentar do país. O alerta dos especialistas chega, porém, num momento em que o desmatamento vinha caindo, não subindo.

Os alertas de desmatamento bateram, em agosto, a menor marca da série histórica, com queda de 36,87%, após queda de 61,4% já registrada em maio. É essa trajetória que os cientistas temem ver revertida a partir de 2027, com o novo Congresso.

O que acontece agora

O novo Congresso toma posse em fevereiro de 2027, já sob o governo eleito no 2º turno de 25 de outubro. É a partir daí que as mudanças na composição legislativa começam a valer para votações de pauta ambiental.