Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou de "oportunismo eleitoral" a proposta do governo para acabar com a escala 6x1 e, pela primeira vez, detalhou em público sua alternativa: jornada negociada entre patrão e empregado, com remuneração calculada por hora trabalhada, numa entrevista nesta terça-feira (6).

"Nossa proposta é dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade", disse Flávio.

A proposta do governo, em discussão no Senado, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de folga (preferencialmente incluindo domingo) e mantém o salário sem redução, com período de transição.

Já a alternativa de Flávio permite escolher entre a CLT e um modelo flexível por horas trabalhadas, em que jornada menor pode significar salário menor. O projeto é do coordenador Rogério Marinho, senador que já buscava apoio no Senado para flexibilizar a jornada.

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Flávio rebateu as críticas do governo com dureza. "Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista", afirmou o senador, segundo a CNN Brasil.

A disputa por quem fica com o crédito da bandeira trabalhista se tornou, nas duas campanhas, tão relevante quanto o mérito da proposta.

O que está em jogo no Senado

A votação da PEC do fim da escala 6x1 está marcada para 11 dias antes do 2º turno, sob a presidência do senador Davi Alcolumbre.

Regimentalmente, são necessárias cinco sessões de discussão antes da votação. A primeira já ocorreu, e as seguintes têm quórum mínimo de 41 senadores, em sessões remotas. Flávio, porém, ainda não declarou como vai votar a proposta do governo, mesmo defendendo publicamente um projeto alternativo.

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O setor produtivo já entrou na disputa. A indústria alega que o fim da escala 6x1 pode elevar a inflação em até 13%, argumento que a campanha de Flávio usa para reforçar sua alternativa.

A própria PEC 12/2026, de Marinho, perdeu força no Senado: os senadores Zequinha Marinho, Cleitinho e Romário retiraram suas assinaturas depois de pressão de sindicatos. O texto, assinado por 36 senadores, está parado na Comissão de Constituição e Justiça.

O que acontece agora

As próximas sessões de discussão da PEC no Senado estão marcadas para esta quarta (7) e quinta-feira (8). A votação final, prometida por Alcolumbre para a semana seguinte, pode esbarrar na agenda de campanha dos senadores a 11 dias do 2º turno.