A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (4 de novembro) a Operação Ifrit contra um grupo ligado ao PCC e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A ação ocorre em sete estados e afastou três policiais civis de Mato Grosso do Sul, suspeitos de participar do esquema.
Realizada em conjunto com a Receita Federal, a operação cumpre 76 mandados de busca e apreensão e 26 mandados de prisão, sendo 25 preventivas e um temporário. A Justiça Federal de Campo Grande também determinou monitoração eletrônica para três investigados.
A operação age em sete estados: MS, SC, PR, SP, MT, GO e RO.
Em Campo Grande, equipes atuam em um galpão na Rua Ceará, em um condomínio na saída para Cuiabá e em um imóvel no bairro Vilas Boas.
Segundo a Polícia Federal, o grupo é investigado por tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e envolvimento em sequestros, torturas, atentados e homicídios.
Como o grupo agia na fronteira com o Paraguai
O grupo tinha como principal área de atuação a região entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo a PF, drogas e armas eram compradas na Bolívia, no Peru e no Paraguai.
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As drogas e armas abasteciam redes de distribuição no Brasil, e o tráfico também tinha rotas até a Europa, sobretudo Espanha e Portugal.
A disputa por essa fronteira já havia sido registrada em outubro. PCC e Comando Vermelho passaram a disputar o controle da região de Mato Grosso do Sul, área que concentra parte das rotas de drogas e armas que abastecem o país.
A Receita Federal já havia identificado o PCC movimentando recursos fora do sistema bancário tradicional. Em maio, uma fintech da Faria Lima foi apontada por movimentar R$ 1 bilhão em esquema ligado à facção.
O que a PF diz sobre o esquema com policiais
A investigação identificou participação de agentes públicos das forças de segurança na estrutura do grupo, entre eles policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal.
Três policiais civis foram formalmente afastados das funções enquanto a apuração continua. A nota oficial não detalha que função cada um exercia dentro do esquema.
A organização utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar rivais.
A nota da corporação não informa se os policiais afastados já responderam às acusações. A presença de agentes do Estado dentro da estrutura é o que diferencia esta operação de outras já registradas contra o PCC na fronteira.
O caso se soma a uma série de ações contra o avanço de facções no comércio internacional de drogas. Em setembro, 14 países já classificavam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, enquanto o Brasil ficava fora dessa lista.

A Polícia Federal não informou, até a publicação desta matéria, prazo para a conclusão do inquérito nem se haverá novas fases da Operação Ifrit.































