A Justiça Federal de Curitiba suspendeu, na terça-feira (27 de outubro), o leilão de um apartamento de luxo ligado a Willian Barile Agati, conhecido como o "Concierge do PCC", apontado pela PF como elo entre o PCC e a máfia italiana.

A Polícia Federal (PF) o aponta como interlocutor entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a 'Ndrangheta na venda de cocaína à Europa. A defesa de Agati nega qualquer ligação com o crime organizado.

O juiz federal Guilherme Roman Borges aceitou recurso da defesa e suspendeu a venda do imóvel, no Edifício Saint Barthelemy, em Indianópolis (SP). Unidades no mesmo prédio são avaliadas entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões.

Na decisão, Borges escreveu que "não havia comprovação de deterioração do bem nem de risco concreto que justificasse a venda antecipada". O Ministério Público Federal (MPF) defendia a manutenção do leilão, mas o pedido não foi aceito.

Quem é o "Concierge do PCC"?

Willian Barile Agati ganhou o apelido por atender diferentes demandas de pessoas ligadas ao tráfico internacional de drogas, principalmente do PCC. Segundo a PF, ele cuidava da logística para o narcotráfico, lavagem de dinheiro e fornecimento de aviões e veículos.

A PF encontrou cerca de R$ 2 bilhões em movimentações financeiras feitas por Agati e suas empresas entre 2017 e 2024, soma que a corporação suspeita vir do tráfico de cocaína. Ele foi indiciado em dezembro de 2024 pela Operação Mafiusi.

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Preso em janeiro de 2025, Agati foi transferido em março para a Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre pena no mesmo presídio de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado líder máximo do PCC desde janeiro de 2023.

O caso se soma a uma série de operações contra a presença internacional do PCC. Em setembro, a PF já mirava a máfia italiana após a apreensão de 4,6 toneladas de cocaína destinadas à Europa.

Em outubro, a facção já mandava cocaína crua para ser refinada em laboratórios europeus, rota que reduz o risco de apreensão durante o transporte.

O esquema é menor que o da Operação Carbono Oculto, que apurou R$ 52 bilhões movimentados pelo PCC em três fases de lavagem de dinheiro. Mas mostra como a facção paulista se profissionalizou no mercado internacional de drogas.

Por ora, o apartamento do Edifício Saint Barthelemy segue fora do leilão, por decisão da Justiça Federal de Curitiba. Agati segue preso na Penitenciária Federal de Brasília, no mesmo presídio de Marcola.