Clubes do futebol brasileiro publicaram, na quinta-feira (17), um manifesto contra a possibilidade de o governo federal proibir as casas de apostas no país. Assinam o texto Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG, além das federações Paulista e Carioca.

O documento reconhece os impactos sociais das apostas, mas defende a manutenção do mercado regulado em vez do seu fim. "O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba", diz o texto.

As casas de apostas se tornaram a principal fonte de renda do futebol brasileiro nos últimos anos, segundo o próprio manifesto.

O que a MP do governo realmente propõe

A medida provisória em discussão no gabinete de Lula mira banir cassinos online, como o chamado "jogo do tigrinho", e não a aposta esportiva nem o patrocínio a clubes e competições, que ficariam de fora da proibição.

O governo justifica a medida pelos impactos sociais: o SUS saiu de 600 atendimentos mensais por dependência de jogo para 100 mil atendimentos por mês, com mulheres somando 55% da procura por tratamento.

Há hoje 188 bets autorizadas a operar no Brasil. Segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias, os cassinos online respondem por 73,9% do volume movimentado pelo setor, contra 26,1% das apostas esportivas.

Preocupados com os desdobramentos da MP, presidentes e dirigentes de clubes acionaram interlocutores e ministros do governo para tentar participar do debate antes de qualquer decisão, segundo a Folha. Cartolas relataram que, por enquanto, os governistas não indicaram nenhuma definição sobre o tema.

Os clubes se queixaram de não terem sido chamados para a discussão da MP, mesmo com o governo ainda hesitando sobre os termos da medida.

Em São Paulo, cartolas mapearam pelo menos sete projetos de lei estaduais de restrição às bets e um municipal, o PL 0560/2025, que proíbe publicidade de apostas em eventos esportivos e espaços públicos da cidade.

A preocupação não é nova: as próprias empresas de apostas já haviam pedido mais fiscalização contra o jogo clandestino do tigrinho, em junho.

O que acontece agora

Depois de publicada no Diário Oficial, a MP valeria imediatamente por até 180 dias, mas precisaria da aprovação do Congresso Nacional para virar lei permanente. Os clubes dizem estar à disposição do Governo e do Congresso para discutir fiscalização e educação sobre o tema.