O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (18) que o governo brasileiro precisa "tomar conta" do petróleo da Margem Equatorial, no Amapá, diante do interesse dos Estados Unidos por minerais críticos, petróleo e terras raras do país.

"O Pré-Sal fica a 300 km da margem das nossas praias. Nós temos que tomar conta, porque o Trump está por aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terras raras. Não, isso aqui é nosso", disse Lula, segundo a CNN Brasil.

De acordo com o G1, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no campo de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O local fica a 175 quilômetros da costa do Amapá, dentro da Margem Equatorial.

A estatal já recebeu licença do Ibama para ampliar a exploração em outros três poços próximos ao campo de Morpho.

"Lá há petróleo... possivelmente o novo pré-sal. Parece ser de mais qualidade", afirmou o presidente, em comparação direta com o volume que hoje sustenta grande parte da produção brasileira de óleo e gás.

Por que o Ibama liberou a exploração em área tão sensível?

O Ibama autorizou a perfuração após um histórico de idas e vindas. Em fevereiro de 2026, um parecer técnico do próprio órgão recomendou negar a licença, citando risco de perda de biodiversidade na região marinha.

A liberação saiu meses depois, e a Petrobras confirmou hidrocarbonetos no poço em agosto.

Em janeiro, a sonda usada na perfuração vazou 18 mil litros de fluido no mar, e o Ibama multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões pelo incidente.

Para ambientalistas, o episódio reforça a contradição entre o discurso de transição energética do governo e a aposta em nova fronteira de petróleo.

"O país veste verde no palco internacional, mas se suja de óleo em casa", disse Mariana Andrade, coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, à CartaCapital.

Lula também citou as terras raras, grupo de 17 elementos usados em turbinas eólicas, veículos elétricos e sistemas de defesa.

Segundo estimativas do U.S. Geological Survey, o Brasil concentra uma das maiores reservas do tipo fora da Ásia, dado que o presidente usa para justificar o discurso de proteção aos recursos estratégicos.

A fala acontece dias depois de o próprio governo sancionar uma lei de R$ 7 bilhões para minerais críticos, que gerou alerta de Minas Gerais sobre riscos ao setor.

No campo político, o vice do PT já havia reconhecido que a campanha fala mais de terras raras do que do dia a dia do eleitor, um contraponto ao discurso do presidente.

Lula defendeu ainda reforçar a defesa nacional e definir qual é o papel das Forças Armadas na fronteira. Ele citou as pontes que seu governo construiu com Bolívia e Peru como exemplo de presença brasileira em áreas remotas.

O que acontece agora

A Petrobras segue a fase de exploração dos poços vizinhos ao campo de Morpho, com o aval já concedido pelo Ibama em setembro.

Não há, nas falas de Lula desta sexta, prazo definido para o início de produção comercial na Margem Equatorial. A etapa ainda depende de novos estudos de viabilidade e de licenciamento adicional.