A Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil) defende que o governo federal libere o uso voluntário de biodiesel acima dos 15% hoje obrigatórios no diesel, com adoção imediata do B17, diante do temor de falta de diesel na safra.

O Brasil enfrenta uma vulnerabilidade energética significativa ao importar grande parte do diesel fóssil

Afirmou a Aprobio, presidida por Jerônimo Goergen, em nota. Cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil vem dos Estados Unidos, e o país recebe entre 20 e 25 navios de diesel por mês, com previsão de 838 mil m³ importados em setembro.

Segundo a Aprobio, a troca do B15 pelo B17 acrescentaria 125 mil m³ de biodiesel por mês ao mercado, reduzindo a importação em 3 a 4 navios mensais.

O alerta parte da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que apontou restrições e atrasos na entrega de diesel a produtores rurais logo no início da safra de verão 2026/27.

A entidade defende que a medida seja adotada por comunicação direta à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), sem necessidade de autorização prévia, em segmentos como transporte público, frotas cativas, geração de energia elétrica, tratores e operações agrícolas.

A proposta reacende um debate que o próprio governo havia esfriado um mês antes. Em agosto, o governo federal revogou diretrizes anteriores para o uso voluntário de biodiesel.

A Aprobio também sugere acelerar os testes do B25 para decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). O debate ocorre em meio a outra discussão recente: a indústria também se preocupa com o aumento do etanol na gasolina.