O assessor especial de Relações Internacionais da Presidência, Celso Amorim, entregou nesta quarta-feira (16), em Pequim, uma carta do presidente Lula ao presidente chinês, Xi Jinping. O documento foi repassado em reunião com o chanceler chinês, Wang Yi, e trata da cooperação bilateral.
Durante o encontro, Amorim e Wang Yi condenaram tentativas de ingerência em assuntos internos de outros países. A declaração ocorre no mesmo mês em que o governo americano pressiona o Brasil sobre a condução da eleição de 2026.
O que a carta de Lula pede à China?
Na carta, Lula destacou a importância estratégica da cooperação entre os dois países em inteligência artificial de código aberto e no desenvolvimento conjunto de capacidade produtiva em minerais críticos e terras raras.
Esses insumos estão no centro da disputa entre China e Estados Unidos. Trump busca ampliar o controle americano sobre eles, usados nas indústrias de tecnologia, energia e defesa.
No Brasil, o acesso a minerais críticos também está na lei de R$ 7 bilhões que Lula sancionou para o setor.
O tema também apareceu entre as 21 exigências que o governo Trump fez ao Brasil para negociar o fim do tarifaço de 50%, reveladas nesta semana.
Amorim e Wang Yi discutiram ainda a relação bilateral nas dimensões econômica e tecnológica, os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, e o papel do BRICS como fórum de articulação entre países do Sul Global.
O que acontece agora
A condenação à ingerência externa feita em Pequim reforça a posição já dada pela China dias antes. Na quarta-feira, o governo chinês negou qualquer interferência e disse apoiar as eleições no Brasil, resposta direta às pressões dos Estados Unidos.
A entrega da carta ocorre às vésperas da Assembleia-Geral da ONU, quando Lula deve voltar a defender a soberania nacional e a não interferência em seu discurso de abertura, na terça-feira (22).



























