O número de militares dos Estados Unidos mortos na guerra com o Irã é maior do que o Pentágono divulgou, segundo reportagem do jornal Washington Post desta sexta-feira (18). O banco de dados público mostra 18 mortes; fontes internas falam em pelo menos 22.
Uma sexta fonte disse ao jornal que o número de mortos desde 28 de fevereiro, início do conflito, chegou a 23. Nem todos os óbitos envolvem militares em combate direto, mas americanos presentes no Oriente Médio durante os ataques.
Das 18 mortes reconhecidas oficialmente, 14 são classificadas como ocorridas na Operação Fúria Épica, nome dado pelo governo Trump à guerra. As outras 4 aparecem numa categoria à parte, ligada ao cessar-fogo de julho que depois entrou em colapso.
O Pentágono também informou, separadamente, a morte de 2 militares em bases atingidas por ataques iranianos desde fevereiro, mas classificou essas mortes como não relacionadas à guerra. Os nomes tampouco aparecem no banco de dados público.
Por que a contagem oficial diverge da real
As autoridades ouvidas pelo Washington Post não souberam explicar por que as mortes adicionais não constam no sistema público. Identidades, datas e circunstâncias desses óbitos seguem sem esclarecimento.
O Pentágono não respondeu às perguntas do jornal sobre a discrepância entre os números.
Além dos mortos, mais de 820 militares americanos ficaram feridos em combate desde o início do conflito, segundo os próprios dados públicos do Departamento de Defesa.
Do lado iraniano, o governo contabiliza 3.468 mortos no conflito, segundo dado consultado pelo g1 — número que dá a dimensão do outro lado da guerra que os EUA ainda debatem como contar.
O episódio ocorre num momento de escrutínio sobre a transparência militar americana: em setembro, os EUA admitiram publicamente, pela primeira vez, ter armas no espaço.
A guerra também já gerou desinformação: em agosto, Trump chegou a postar um vídeo falso, feito com IA, sobre um ataque a uma ilha de petróleo do Irã.
O Pentágono, aliás, tem atuado em outras frentes da região: em julho, a pasta chegou a incentivar países da América Latina a aumentar gastos com defesa.
O que a diferença de números revela
Uma guerra que já dura quase sete meses ainda não tem um número fechado de mortos do lado americano. O órgão responsável por informar isso ao público não respondeu por quê.
A pergunta que fica não é sobre quem morreu, mas sobre como o Pentágono decide o que entra na contagem oficial de uma guerra em curso, e o que fica de fora dela.


























